Y Ikatu Xingu | Salve a Água Boa do Xingu http://campanhayikatuxingu.org.br uma campanha de responsabilidade socioambiental compartilhada Wed, 19 Nov 2014 20:13:30 +0000 pt-BR hourly 1 AVISO http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/11/19/4361/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/11/19/4361/#comments Wed, 19 Nov 2014 19:59:40 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/2014/11/19/4361/ A partir de agora as informações da Campanha Y Ikatu Xingu serão publicadas no site da Rede de Sementes do Xingu. As atividades realizadas pela Campanha e notícias relacionadas poderão ser acompanhadas no blog do site da Associação Rede de Sementes do Xingu.

]]>
http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/11/19/4361/feed/ 0
Encontro discute mudança do clima, qualidade das sementes e promove feira de trocas http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/08/07/encontro-discute-mudanca-do-clima-qualidade-das-sementes-e-promove-feira-de-trocas/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/08/07/encontro-discute-mudanca-do-clima-qualidade-das-sementes-e-promove-feira-de-trocas/#comments Thu, 07 Aug 2014 19:45:44 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4351 Entre baldeações e conexões para chegar a São Félix do Araguaia (MT), 70 coletores de 21 municípios de MT, parceiros e convidados de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Pará participaram do 11º Encontro Geral e da 2ª Assembleia Geral da Rede de Sementes do Xingu, onde dividiram saberes, culturas e práticas.

    No encontro organizado pela Associação Rede de Sementes do Xingu e pelo ISA, entre 31 de julho e 2 de agosto, com apoio da Articulação Xingu Araguaia (formada pela Ansa, ATV, CPT, ISA e Opan), os participantes conheceram e trocaram mais experiências sobre iniciativas econômicas sustentáveis a partir da coleta de sementes e produtos da sociobiodiversidade.

    Durante a assembleia ocorrida na manhã do primeiro dia, a diretoria apresentou um balanço geral da Rede entre julho de 2013 e julho de 2014 destacando as realizações a comercialização de sementes pela Rede de sementes do Xingu (RSX) em 2013 bem como o histórico de produção de cada núcleo coletor. A diretora da associação, Bruna Ferreira, falou sobre a importância de cada núcleo honrar o compromisso de entrega de sementes sob pena de a Rede não conseguir cumprir o compromisso com os compradores.

    No debate, os coletores alertaram sobre as alterações que a natureza vem sofrendo, o que impacta a capacidade de planejamento de produção e manejo e consequente entrega. “As lavouras de soja estão passando por cima de tudo, a água, a terra, o clima está diferente e parece que pessoas não estão se importando”, disse Francisco Vieira, coletor do assentamento Dom Pedro, em São Felix do Araguaia, MT. “Na nossa área o número de mirindiba está diminuindo e assim nós temos que plantar essas espécies”, disse Odete Severino, de Bom Jesus do Araguaia.

    Qualidade das sementes

    O coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA, Rodrigo Junqueira, apresentou os desafios a serem enfrentados e os participantes discutiram os resultados de uma pesquisa encomendada pela Rede que diagnosticou os pontos fortes, fracos e as ameaças da Rede. Os debates também abordaram a qualidade das sementes, apontada como um elemento que deve sempre ser melhorado.

    Nesse sentido, o laboratório de sementes florestais inaugurado em maio, fruto de uma parceria entre a Rede de Sementes e a Universidade Estadual do Mato Grosso (Unemat), campus de Nova Xavantina, vai permitir que se conheça mais profundamente as características fisiológicas de algumas espécies coletadas. “O laboratório vai emitir um boletim de análises dessas sementes o que aumentará a credibilidade da Rede no mercado e vai possibilitar novos estudos e práticas para melhorar a qualidade das sementes coletadas”, explicou Danilo Ignácio, engenheiro florestal e consultor da Rede de Sementes do Xingu

    Nesse caminho pela adequação, ficou definido que o próximo passo da Associação da Rede de Sementes de Xingu, será o seu credenciamento como Produtora de Sementes Florestais junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O objetivo é que até o final do ano seja emitido o Renasem, Registro Nacional de Sementes e Mudas.

    A Rede de Sementes mantém a parceria iniciada há três anos com a Organização Ecosocial do Araguaia, Oeca. A organização administra um fundo de microcrédito para Rede, onde os coletores, em grupo, acessam recursos para apoiar o trabalho da coleta, beneficiamento e atividades correlatas. A coordenadora da Oeca, Dudi Oliveira, conversou com os coletores e ouviu as suas experiências com a utilização do crédito. “A rotatividade do crédito se dá pelo uso e pelo retorno do recurso, assim quanto mais acessam e pagam, mais os coletores podem acessar”, afirmou Dudi. O coletor Ivan Loche, de Canarana, incentivou os coletores a acessarem o Fundo. “Coleto num raio de 60 km e o crédito fez a diferença, pois o utilizei para custear as despesas com o combustível”.

    Para além dos plantios

    Pelo quarto ano consecutivo, a professora Fátima Piña Rodrigues, da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), esteve no encontro. Dessa vez , ela apresentou a iniciativa da Rede de Sementes Rioesba que começou a investir em artesanato com as sementes que perderam capacidade de germinação durante o processo produtivo. “Para o artesanato é preciso talento e mercado, mas essa é uma oportunidade para que os coletores explorem mais as possibilidades dos trabalhos com as sementes”, enfatizou. Durante a oficina os participantes, em grupos, criaram suas próprias peças e aprenderam uma técnica de furar sementes com o povo Kaiabi.

    Os participantes também conheceram mais produtos da sociobiodiversidade relacionados com as sementes florestais. Ouviram a experiência do povo Kisêdjê do Xingu pela qual a comunidade implantou um sistema de extração de óleo de pequi que incorpora máquinas ao método tradicional. Para garantir a matéria prima, a comunidade está reflorestando áreas degradadas de fazendas remanescentes dentro da Terra Indígena Wawi com sementes de pequi. Os Kisêdjê também estão aproveitando os plantios de pimenta da comunidade para comercializar o excedente.

    Wareaiup Kaiabi, coordenador da Associação Terra Indígena Xingu falou sobre o Mel dos Índios do Xingu, produzido por apicultores indígenas do Parque Indígena do Xingu e comercializado pela Atix em parceria com a rede de supermercados Pão de Açúcar. Maria da Graça, extrativista em Altamira (PA) e Fabiola Silva, engenheira agrônoma do ISA Altamira, apresentaram o trabalho realizado nas reservas extrativistas (Resex) daquela região. Com apoio do ISA e de organizações parceiras essas comunidades estão produzindo mais de 15 subprodutos das árvores e sementes da Amazônia, entre óleos, artesanatos e alimentos.

    Saberes compartilhados

    Durante o encontro foi distribuída a cartilha Coletar, Manejar e Armazenar as Experiências da Rede de Sementes do Xingu, elaborada a partir da experiência e conhecimento dos coletores. Liderados pela professora Fátima os participantes realizaram uma atividade para conhecer o conteúdo da publicação na qual tinham de procurar a resposta para oito perguntas relacionadas à produção de sementes. “Foi muito bom, porque a gente vai levar esse material para os outros coletores que também vão ver que o nosso trabalho está sendo reconhecido. A gente vê na cartilha que eles ouviram a gente e assim quando alguém tiver uma dúvida pode ir lá ver como que faz”, disse a coletora Cleusa Nunes, de Bom Jesus do Araguaia.

    Representantes de algumas organizações parceiras como o Funbio, o Fundo Vale, a Embrapa Agrosilvipastoril de Sinop participaram do encontro além de convidados da Rede de Sementes do Cerrado e dos Extrativistas das Resexs da Terra do Meio, Altamira (PA). Ingo Isernhagen, pesquisador da Embrapa, apresentou alguns projetos de restauração desenvolvidos pela entidade. “A muvuca abriu caminho para a pesquisa, e com o método de semeadura direta você tem menos perdas que com a muda, mas ainda não é possível saber quantas sementes vão nascer em cada hectare, ainda precisamos estudar mais a muvuca pois ela oferece muitas oportunidades”, avaliou.

    “Desse trabalho em rede, dos conhecimentos dos coletores e de suas experiências com a preservação das sementes surgiu a necessidade de fortalecer um espaço dentro da Rede para a troca de sementes visando a soberania alimentar”, explicou Claudia Araújo, diretora da Associação da Rede de Sementes do Xingu. Na Feira de Sementes, realizada durante o encontro, cada pessoa que trouxe semente crioula contou um pouco da história da variedade. Foram feitos cadastro das sementes que foram distribuídas e de quem as levou, para poder acompanhar o crescimento dessas sementes na região. Foram doadas e trocadas sementes de muitas variedades de milho, feijão, batatas, abóbora crioula, mamão, açafrão, além de espécies nativas do Cerrado como merindiba e abíú. Alguns carregam essas sementes há décadas nas famílias, como o coletor Pedro Righi, do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Bordolândia, em Bom Jesus do Araguaia (MT) que planta uma espécie de feijão há mais de 20 anos.

    Na noite cultural foram entregues lembranças para os grupos e coletores que se destacaram pela organização, pela qualidade de suas sementes e por entregar a quantidade de sementes que foi pedida. Foram expostos artesanatos dos indígenas do Xingu, dos Karajá e Xavante, cerâmicas, pulseiras, colares, esteiras, mel do Xingu, pimenta do povo Kisêdêje e bordados e quadros das mulheres assentadas. Um concurso de forró embalou a noite do grupo ao som da sanfona do seu Placides, um dos coletores da Rede. Os participantes gostaram da ideia e provavelmente o concurso será incluído na programação dos próximos encontros.

    Saiba mais sobre a rede.

    ]]> http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/08/07/encontro-discute-mudanca-do-clima-qualidade-das-sementes-e-promove-feira-de-trocas/feed/ 0 11º Encontro Geral da Rede de Sementes do Xingu começa nessa quinta (31/7) em São Félix do Araguaia (MT) http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/28/11%c2%ba-encontro-geral-da-rede-de-sementes-do-xingu-comeca-nessa-quinta-317-em-sao-felix-do-araguaia-mt/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/28/11%c2%ba-encontro-geral-da-rede-de-sementes-do-xingu-comeca-nessa-quinta-317-em-sao-felix-do-araguaia-mt/#comments Mon, 28 Jul 2014 23:58:11 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4325

    O coletor Placides Lima , agricultor familiar do PA Manah, beneficiando sementes que vai entregar para Rede. Foto Tui Anandi

    De 31 de julho a 2 de agosto, representantes dos grupos de coletores, convidados de outras redes de sementes do Brasil, pesquisadores e representantes de órgãos públicos, além de compradores de sementes irão trocar experiências e avaliar o ano 13/14 da Associação Rede de Sementes do Xingu e planejar o próximo 14/15.

    O encontro vai debater as novas alternativas para consolidar e expandir o trabalho na região e alargar as fronteiras da restauração florestal pelo País. Nas mesas redondas e palestras serão abordados os desafios e oportunidades das diferentes formas de organização da produção comunitária e os produtos da biodiversidade. A recém-criada Associação da Rede de Sementes do Xingu aproveitará o evento para realizar sua primeira assembleia.

    Na tarde da quinta-feira (31/7) será lançada a cartilha Coletar, Manejar e Armazenar as Experiências da Rede de Sementes do Xingu, que estará disponível para download na internet na página da Rede. A partir das 16h, haverá uma feira de troca de sementes e exposição e venda de diversos produtos como polpas de frutas, comidas regionais, além de artesanatos das etnias indígenas do Parque Indígena do Xingu, dos Xavante e dos Karajás.

    A cartilha será lançada durante o encontro


    Sobre a Rede

    A Rede de Sementes do Xingu nasceu dentro Campanha Y Ikatu Xingu, coordenada pelo ISA (Instituto Socioambiental), que com diversas organizações e com o apoio da sociedade civil começou um processo de restauração florestal em Mato Grosso. A partir dessa mobilização e do trabalho dos coletores da Rede de Sementes do Xingu já foram restaurados mais de 3 mil hectares de áreas degradadas na Bacia do Rio Xingu e Araguaia, incluindo extensões de grandes fazendas, de pequenos produtores dentro e fora dos assentamentos, além de plantios nas Terras Indígenas.

    Preparo de muvuca de sementes para restaurar área de APP com pastagem na fazenda Brasil, em Barra do Garças-MT. Foto:Acervo ISA

    Uma das técnicas de plantio utilizadas pela Campanha, a “muvuca”, que utiliza uma mistura de sementes de diferentes espécies, aliada ao plantio mecanizado, barateou os custos e inovou o setor, sendo referência para projetos de Restauração florestal. Formada por 350 coletores de sementes nativas, a Rede se espalha por 21 municípios da região do Araguaia-Xingu, e também na Bacia do Rio Paraguai, no leste de MT. São mulheres e homens, agricultores familiares, indígenas e moradores das cidades que há sete anos realizam a atividade.

    Além da importância do trabalho para a preservação do Cerrado e da Amazônia, a coleta de sementes também complementa a renda familiar dessas famílias. A ação já gerou mais de R$ 1 milhão de reais para os coletores.

    Saiba mais sobre a Rede de Sementes do Xingu aqui.

    Acompanhe o Encontro e as outras atividades da Rede na página do Facebook.

    Serviço

    11° Encontro Geral da Rede de Sementes do Xingu

    Data: 31 de julho a 02 de agosto

    Local: Centro Comunitário Tia Irene, Av Araguaia, São Félix do Araguaia, MT.

    ]]> http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/28/11%c2%ba-encontro-geral-da-rede-de-sementes-do-xingu-comeca-nessa-quinta-317-em-sao-felix-do-araguaia-mt/feed/ 0 Confira o artigo sobre a Campanha Y Ikatu Xingu em publicação da FAO/ONU http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/16/confira-o-artigo-sobre-a-campanha-y-ikatu-xingu-em-publicacao-da-faoonu/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/16/confira-o-artigo-sobre-a-campanha-y-ikatu-xingu-em-publicacao-da-faoonu/#comments Wed, 16 Jul 2014 21:28:41 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4320 A Campanha Y Ikatu Xingu foi citada como exemplo de metodologia de restauração florestal na mais recente publicação da FAO/ONU sobre recursos genéticos florestais no mundo. A revista esta disponível para download aqui

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/16/confira-o-artigo-sobre-a-campanha-y-ikatu-xingu-em-publicacao-da-faoonu/feed/ 0
    Natureza beleza, alimento na mesa, alegria no coração é o Casadão http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/07/natureza-beleza-alimento-na-mesa-alegria-no-coracao-e-o-casadao/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/07/natureza-beleza-alimento-na-mesa-alegria-no-coracao-e-o-casadao/#comments Mon, 07 Jul 2014 16:08:07 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4300
    Por Dandara Morais

    Entende-se por agricultura familiar o cultivo da terra, onde o trabalho é realizado fundamentalmente pelo núcleo familiar. Diferente da agricultura patronal ou monocultura cuja principal mão de obra é de trabalhadores contratados. Tal oposição é de natureza social – entre a agricultura que se apoia fundamentalmente na unidade entre gestão e trabalho de família e aquela em que se separam gestão e trabalho.
    “]
    Uma é cultura de subsistência, onde todo o cultivo é essencialmente para o consumo da própria família, enquanto a monocultura é regida pelas leis do capital de quanto mais, melhor.
    Apesar dos veículos da grande mídia e das políticas de governo estarem estritamente ligados ao latifúndio, tem se notado a emergência do agricultor familiar como personagem político na história brasileira. A literatura sobre a agricultura familiar aponta que, desde meados da década de 1990, vem ocorrendo um processo de reconhecimento e de criação de instituições de apoio a este modelo de agricultura. Vale lembrar que, este reconhecimento pela literatura e pelo governo, não significa que só neste momento surgiu no país a agricultura familiar.

    Mas foi a partir dos anos 1990 que foram criadas políticas públicas específicas de estímulo aos agricultores familiares como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) em 1995; secretarias de governo orientadas exclusivamente para trabalhar com a categoria como a Secretaria da Agricultura Familiar criada em 2003 no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) criado em 1998. E promulgou-se em 2006 a Lei da Agricultura Familiar, reconhecendo oficialmente a agricultura familiar como profissão no mundo do trabalho e foram criadas novas organizações de representação sindical com vistas a disputar e consolidar a identidade política de agricultor familiar (como a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar – FETRAF).

    E por último, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) criou um caderno especial sobre a Agricultura Familiar com os dados do Censo Agropecuário de 2006, que pela primeira vez, identificou quantos são, onde estão e o que produzem os agricultores e empreendedores familiares rurais no País.
    “]
    Essa medida contribuiu para evidenciar a importância social e econômica desta categoria de agricultores no país. Com o Censo Agropecuário de 2006, verificou-se a força e a importância da agricultura familiar para a produção de alimentos no país. Segundo dados do IBGE, aproximadamente 84,4% dos estabelecimentos agropecuários do país são da agricultura familiar. Em termos absolutos, são 4,36 milhões de estabelecimentos agropecuários. Entretanto, a área ocupada pela agricultura familiar era de apenas 80,25 milhões de hectares, o que corresponde a 24,3% da área total ocupada por estabelecimentos rurais.

    Isso revela uma concentração fundiária e uma distribuição desigual de terras no Brasil. Se realizarmos uma média do tamanho das propriedades familiares e não familiares, teríamos, respectivamente, 18,37 e 309,18 de hectares. Ou seja, é um abismo muito grande entre minifúndio e latifúndio.

    Outro dado interessante é que, dos 80,25 milhões de hectares de área da agricultura familiar, 45,0% destinavam-se às pastagens; 28,0% eram compostos de matas, florestas ou sistemas agroflorestais; e 22% de lavouras.

    Região do Araguaia ATV e CPT
    “]
    A região conhecida como Baixo Araguaia no Mato Grosso, abrange uma área de 116.040,30 Km² e é composta por 15 municípios: Confresa, Luciara, Porto Alegre do Norte, Querência, Ribeirão Cascalheira, Santa Terezinha, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Alto Boa Vista, Canabrava do Norte, Novo Santo Antônio, Santa Cruz do Xingu, Serra Nova Dourada, Vila Rica e Bom Jesus do Araguaia. Com uma população de aproximadamente 125.127 habitantes, dos quais 51.355 vivem na área rural, o que corresponde a 41,04% do total. Possui 7.387 agricultores familiares, 16.271 famílias assentadas e 11 terras indígenas de acordo com dados do Sistema de Informação Territorial SIT.

    Antigamente, a região era considerada imprópria para o cultivo de grandes lavouras. Devido à predominância de regiões alagadas e de cerrado, além das longas temporadas chuvosas, que duram cerca de 8 meses no ano. De certo modo, essas condições ambientais afastou as rotas desenvolvimentistas baseada na monocultura de commodities para outros eixos do território mato-grossense. Porém, a cerca de sete anos, o vale do Araguaia foi invadido pelo cultivo de grãos, transformando os pequenos sítios em lavouras de soja e milho.
    Esta mudança de cenário, que levou à peleja pela sobrevivência na terra, estimulou a aproximação de duas entidades que lutavam em prol do agricultor familiar, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Associação Terra Viva de Agricultura Familiar e Educação Ambiental (ATV).

    Comissão Pastoral da Terra
    “]
    A CPT nasceu em junho de 1975, durante o Encontro de Pastoral da Amazônia, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), realizado em Goiânia (GO). Inicialmente a CPT desenvolveu junto aos trabalhadores e trabalhadoras da terra um serviço pastoral.
    Na definição de Ivo Poletto, primeiro secretário da entidade, “os verdadeiros pais e mães da CPT são os peões, os posseiros, os índios, os migrantes, as mulheres e homens que lutam pela sua liberdade e dignidade numa terra livre da dominação da propriedade capitalista”.
    Com sede em Porto Alegre do Norte, o trabalho da CPT vem sendo realizado desde 1998 na região do Baixo Araguaia. Campanhas, oficinas, visitas a campo, acompanhamento e orientação aos camponeses são algumas das atividades realizada pela entidade.

    Associação Terra Viva de Agricultura Alternativa e Educação Ambiental
    “]
    A ATV, foi criada em 1988, no município de Ribeirão Cascalheira. Em 2002 muda a sede para Porto Alegre do Norte. A Associação tem por objetivo propor um caminho diferenciado de agricultura familiar, frente à monocultura e a agropecuária empresarial. Para tal, desenvolve alternativas adaptadas à realidade local: adubação verde e orgânica, tração animal, recuperação e disseminação das sementes crioulas, criação de pequenos animais, recuperação de áreas de preservação permanente, dentre outras atividades que envolvem o meio ambiente e as pessoas que nele habitam.
    A parceria entre as entidades CPT e ATV teve início em 2002, quando buscaram fortalecer as atividades uma da outra, trabalhando junto com os camponeses, principalmente do Projeto de Assentamento (P. A.) Manah, em Canabrava do Norte, do Projeto de Assentamento Fartura, no município de Confresa e no Projeto de Assentamento Dom Pedro, município de São Félix do Araguaia.

    Ambas as entidades, sem fins lucrativos, buscam projetos para que possam dar assistência e desenvolver as atividades de educação ambiental e orientação junto aos camponeses da região.
    Valdo da Silva, presidente da ATV e agricultor, coloca que o trabalho das duas entidades vão em direção contrária o sistema imposto pelo capitalismo “ Não é um sistema de arranjo ou a busca por resultados econômicos, nós buscamos um novo jeito de viver, é tirar o sustento da terra e conviver com ela e com todos os seres vivos de modo harmônico”.

    A CPT, como pastoral, discute as questões de gênero e de direitos humanos, trazendo temas como trabalho escravo e exploração infantil. Já a ATV é uma entidade de militantes que discutem educação ambiental e colocam em prática os conceitos assimilados. Juntamente com os agricultores, agricultoras e entidades fortalecem a luta onde cobram que o governo cumpra com suas responsabilidades.

    Casadão e outras frentes
    “]
    O início do trabalho da ATV e da CPT juntas se deu com o incentivo a um novo modelo de produção, o Sistema Agroflorestal (SAF), como é conhecido. Trata-se de um plantio consorciado (ou seja que mistura espécies), estratificado (com várias camadas) e com um componente arbóreo. Ou seja, ele é diversificado horizontalmente e verticalmente e conta não só com uma diversidade de espécies como uma diversidade de tipos de plantas, como cultivos anuais, perenes, árvores, arbustos, ervas e até cipós. No SAF, valorizam-se os processos naturais e ecológicos, conduzindo o sistema de produção como num processo de regeneração natural, mas acelerado e potencializado pelo manejo humano, inclusive na sua produtividade.

    No começo do trabalho, a CPT e a ATV organizavam várias reuniões para chamar o pessoal e explicar a proposta. Em uma dessas reuniões surgiu o nome Casadão. Valdo da Silva conta que “foi um senhor de Nova Floresta que falou, na verdade ele tava fora da reunião, tinha bebido e tava enchendo o saco. E a gente reunido discutindo o sistema de plantio, aí na hora que ele entendeu o que era, ele falou ‘então, é um Casadão’, aí ficou, Casadão”.

    Segundo João Botelho do P.A Manah o Casadão é uma festa “Eu acho que é porque esse Casadão a gente tem umas árvores mais velhas, outras mais novas, e assim é esse Casadão. É igual festa, festa é uma mistura de gente, não é verdade. Ali tem velho, tem novo, tem jovem, tem menino, tem preto, tem branco, tem feio, tem bonito, tem uns encrenqueiros, tem uns que não gosta de encrenca. Então, naquela festa tem esse conjunto de gente. Então, o Casadão é como se fosse uma festa, tem árvore de todo lado, de todo tipo. E tem árvore que nem sei de onde é que ela veio, tá plantada aí. É igual na festa”.

    João conta um pouco como foi aquele início de trabalho, as dificuldades e a persistência dos que levaram o Casadão a sério. “No começo ficou meio bagunçado, em tudo, não sabia se tava certo ou se não tava. Até porque naquela época, os nossos lotes ainda eram mata. E aí, quando o pessoal chegou incentivando a gente a plantar, fizeram até um viveiro no assentamento, muitos ficaram em dúvida. O INCRA incentiva derrubar, agora esse pessoal chega querendo que a gente plante. Então, era uma coisa que assim, naquela época, até o INCRA, se a gente não derrubasse, eles ameaçavam até tomar o lote da gente. Mas aí a gente acreditou e fez, hoje estamos colhendo os frutos” relembra João.Outra frente levantada pela ATV e CPT foi a organização das mulheres, auxiliando e acompanhando para que elas conseguissem se mobilizar e se tornarem independentes. Hoje, quase 12 anos após o início das atividades, as famílias que se empenharam e acreditaram no novo modelo proposto, estão desfrutando e usufruindo do trabalho dedicado à terra. Vivem hoje da produção de hortas, da venda de polpas e sementes e da fabricação de artesanato, de farinha e de doces.

    Causos e histórias dessa caminhada

    Conhecido como João Bode


    João Botelho Moura, Canabrava do Norte
    João Botelho Moura, agricultor, com seus 73 anos, mora no Projeto de Assentamento Manah (Canabrava do Norte – MT) com a esposa e os filhos, vive hoje da aposentadoria e dos frutos que vem colhendo após o início do plantio em Sistema Agroflorestal em 2002, com incentivo da ATV e CPT.

    O depoimento de João quanto ao Casadão e suas perspectivas evidencia que muito mais que gerar renda, o objetivo do trabalho é mudar o estilo de vida, onde homem e natureza convivam em harmonia, ele reflete: “Olha, fazer o Casadão não é fácil, não, é meio difícil, mas depende da pessoa querer fazer, ter interesse. Se não tiver interesse, na hora que for fazer, não dá certo… e coragem, porque se o companheiro não tiver coragem, não faz. Primeiro, foi aqui o quintal, um pouquinho aqui, do meio pra lá. Aí, saiu um recurso daqueles projetos, que fala o PPP [Programa Pequenos Projetos Ecossociais]. Isso aqui era pasto, a fazenda aqui tudo era pasto. Aí, nós foi plantando. No primeiro ano, nós plantou arroz, milho, abóbora, melancia, fizemos uma pequena salada. Daí, fomos plantando as mudas, pegando as mudas lá do Valdo, da Terra Viva, da CPT. Eles iam doando as mudas pra nós, e nós vai plantando. E aí, eu resolvi “vou aumentar”, aí tornei a arrancar a cerca, pus para lá. Tornei a arrancar, e botei mais adiante. Aí, eu disse: “daqui eu não vou mais arrancar essa cerca”. Aí, eu fui plantando mais e fui achando bonito aquela pequena floresta, assim, baixinha. E aí disse assim: “sabe, vou tornar a arrancar essa cerca”. E tornei a arrancar essa cerca. E eu arranquei essa cerca aqui umas quatro vezes, para aumentar o Casadão. E até hoje eu tô plantando. E a gente não para de plantar, não. Porque plantar é assim, igual uma vez, eu plantei parece que 28 mudas de araçá-boi. A primeira muda que eu plantei foi essa bem aí. Aí, produziu, e nós foi fazendo mudas. Sei que eu tinha plantado 28, e só tem um pé. E eu molhei o verão todinho, molhando, molhando. Mas não sei o que aconteceu, e foi morrendo e foi morrendo, e só restou um pé. Aí, que está o negócio. Se o sujeito esmorecer, não gostar, não tiver coragem, ele larga. Ele larga porque pensa: ‘eu plantei vinte e tantas mudas e tenho um pé sozinho, eu não vou plantar mais não’. A maioria faz assim, esmorece e larga de mão, ‘eu não vou mais plantar’. E eu não, se morre 28, no outro ano, eu planto 30, pelo menos mais duas pra ter o contrapeso. E é assim, quase todas elas é esse sacrifício, para molhar com o regador, no fim morre mesmo, não tem como. Mas eu não esmoreço, não. É como eu falo para os meus meninos, ‘eu não deito a carga, não’, eu sou teimoso.”

    Raimunda Barros dos Santos, São Felix do Araguaia

    Raimunda Barros dos Santos, 52 anos, começou a trabalhar com o sistema Casadão em 2001. Mora no P. A. Dom Pedro, e recebe assistência da Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção – ANSA, de São Félix do Araguaia. Dona Raimunda diz orgulhosa que consegue se manter com a renda da venda de polpas de frutas para a Fábrica de Polpas Araguaia em São Felix do Araguaia e participando da Rede de Sementes do Xingu como coletora de sementes florestais. “Hoje o meu Casadão é minha fonte de renda, consigo o que preciso com a venda dos frutos, a coleta de semente, e no meu quintal tem tudo que preciso para meu sustento” conta Raimunda. Ela diz que, com o Casadão, aprendeu a plantar vários tipos de plantas tudo junto e a preservar o meio ambiente “É daqui que tiro o meu sustento, tem que cuidar”.
    Dona Raimunda é filha de agricultores, viveu e se criou na roça. Hoje diz que os filhos, apesar de estarem na cidade, valorizam o trabalho dela e sempre que podem aparecem no sítio da família “Nasci e tô na roça até hoje é tradição nossa morar aqui”.

    Anastácio Francisco Alves, Confresa

    Anastácio Francisco Alves, com seus 79 anos, vive no P. A. Fartura, município de Confresa – MT. Apesar da idade, encara o Casadão como pura alegria “Ah isso aqui é uma festa, a gente viaja para os encontros, conhece sempre gente nova e, volta e meia os companheiros estão aqui para ajudar o véio no mutirão”.

    Nos seus 2 hectares e meio de Casadão tem diversas mudas plantadas, algumas já estão produzindo e outras como ele diz “são bebês” ainda. Conseguiu cercar a Área de Preservação Permanente e já apontam algumas árvores com flores no meio da reserva. Por lá, o grupo anda meio desunido segundo seu Anastácio “Aqui o problema é financeiro, se tiver um dinheiro urgente, vira enxame. Mas coisa demorada assim, participar das reuniões, ver o mato crescer, ninguém quer”. Apesar de certo desânimo, ele ressalva “Mas o pessoal da Terra Viva e CPT, o Valdo, a Cláudia, não desiste de nóis não, sempre estão em cima, estes dias, trouxeram um caminhão com muda e gente para me ajudar a plantar”. Mostra o quintal e vai falando o que tem plantado “Baru, Cajuzinho, Macaúba, Ipê, Vinhático, Teca, tem de tudo, do cerrado e da mata, tem abacaxi e melancia, esse é o Casadão.”

    Créditos das imagens:

    [CA] Cláudia Alves/ CPT | [DM] Dandara Morais| Arquivo ANSA

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/07/07/natureza-beleza-alimento-na-mesa-alegria-no-coracao-e-o-casadao/feed/ 0
    I Semana do Extrativismo debate estratégias de desenvolvimento para a Terra do Meio (PA) http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/i-semana-do-extrativismo-debate-estrategias-de-desenvolvimento-para-a-terra-do-meio-pa/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/i-semana-do-extrativismo-debate-estrategias-de-desenvolvimento-para-a-terra-do-meio-pa/#comments Tue, 10 Jun 2014 19:25:44 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4292 A primeira Semana do Extrativismo promovida pelo ISA e pelas associações de moradores das três Reservas Extrativistas (Resex)da Terra do Meio (Amora- Riozinho do Anfrísio, Amorex- Xingu e Amoreri- Iriri), de 5 a 7 de maio, teve como tema central os multiprodutos da floresta nesta região e os contratos diferenciados de comercialização para cada um deles, aí incluídos borracha, castanha, óleos de babaçu, andiroba, copaíba, farinhas, frutas e sementes florestais. Além dos extrativistas, também participaram do evento representantes do Sebrae, Fundação Rainforest da Noruega, Imaflora, um consultor do BNDES para o Programa de Desenvolvimento Regional sustentável do Xingu (PDRSX), Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP) e das empresas Mercur, Natura e Cacauway.

    Durante a Semana do Extrativismo intercâmbio técnico tratou do corte da seringa|Rafael Salazar-Poltrona Filmes

    Durante três dias, os participantes avaliaram o trabalho que vem sendo desenvolvido na região há seis anos e debateram propostas de desenvolvimento de tecnologias, arranjos produtivos, politicas públicas e estratégias de comercialização de produtos da floresta.

    Jorge Hoelzel, um dos sócios da empresa Mercur, que compra borracha natural das três Resex, anunciou a renovação de contrato e reajuste de preços por mais três anos. O ajuste se deu com base nos custos de produção e logística praticados na região – algumas comunidades distam cerca de 500 km, por rio, do centro urbano mais próximo. Com isso, o reajuste ficou cerca de 300% acima do valor de mercado da borracha. A notícia animou mais extrativistas a retomar áreas de extração que estavam paradas por falta de incentivos.

    “Além da borracha, há outras centenas de produtos nas florestas, de conhecimento das populações tradicionais, que não chegam aos mercados por falta de políticas adequadas de comercialização e distribuição e de incentivo tanto para produtores quanto para potenciais compradores”, avalia Marcelo Salazar, coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA, que trabalha com os extrativistas da Terra do Meio.

    Corte de seringa, como parte do intercâmbio|Rafael Salazar-Poltrona Filmes

    O primeiro passo foi a borracha

    A retomada da produção de borracha natural na Terra do Meio estava na lista de prioridades das famílias extrativistas desde a criação das Reservas entre 2004 e 2008. Há seis anos, o ISA, em parceria com o Imaflora, a FVPP, e o ICMBio buscam parceiros que acreditam ser possível melhorar a qualidade de vida e a renda das comunidades tradicionais que vivem nessa região, a partir da promoção de multiprodutos, comercializados a partir de contratos diferenciados, que respeitem e valorizem os serviços socioambientais prestados pelas comunidades que vivem na floresta.

    Roda de conversa entre extratvistas, empresas e apoiadores|Rafael Salazar-Poltrona Filmes

    A Mercur acreditou nesta ideia há quatro anos e hoje reconhece o valor do modo de vida, da cultura desses povos tradicionais e da floresta em pé e pratica por isso um valor diferenciado para a borracha da região e investe no desenvolvimento de modelos de negócios e tecnologias que respeitem a tradição local e forneçam um tipo de borracha de alta qualidade com as características de que a empresa necessita.

    À borracha veio se juntar uma cesta de produtos não madeireiros comercializados e consumidos nas Resex da Terra do Meio que aumenta a cada ano. Castanha, óleos de babaçu, andiroba, copaíba, farinhas, frutas e sementes fazem parte da rotina de produção das famílias na busca de consolidar uma economia diversificada, baseada na diversidade socioambiental da região.
    Embora as dificuldades logísticas sejam muitas, já que uma viagem até Altamira na época da seca pode levar até 20 dias, a criação de “cantinas”, pequenos pontos de comercialização nas Resex, tem mudado para melhor a vida dos extrativistas.

    Oficina de prensagem de borracha foi uma das atividades do encontro|Rafael Salazar-Poltrona Filmes

    Para se ter uma ideia, a borracha e a castanha eram vendidas em grande escala para os regatões (barcos que passam pelos rios vendendo produtos como roupas, alimentos, medicamentos etc e trocando-os por produtos das roças e da floresta) ou patrões, numa prática comercial de preços baixos para a produção e altos para as mercadorias vendidas aos extrativistas. Além disso, grande parte dessa comercialização era baseada numa cadeia de créditos e dívidas onde o extrativista muitas vezes não recebia pela produção a vista e em dinheiro.

    As “cantinas” são mais uma opção de comercialização para os extrativistas e sua função é levar recursos, o capital de giro, para dentro das comunidades. As “cantinas” funcionam assim: as associações comunitárias obtém recursos a partir de projetos e doações e repassam a “cantineiros” escolhidos pelas comunidades. Esses “cantineiros’ utilizam os recursos recebidos para comprar os produtos extraídos da floresta das próprias comunidades e também para adquirir produtos industrializados a serem trocados com a produção dos extrativistas. As “cantinas” também vendem alguns alimentos a preço tabelado. Garantem, assim, que o extrativista receba em sua localidade por sua produção, no momento da entrega de seu produto, e compre mercadorias a preços estipulados coletivamente.

    Mais do que vantagens na comercialização, as “cantinas” e o capital de giro significam independência e autonomia para as comunidades ao realizar a gestão de seus recursos coletivamente. Pedro Pereira, o primeiro cantineiro da região, iniciou o trabalho na Resex Riozinho do Anfrísio com a gestão de um fundo para compra de copaíba, para atender a um contrato com a Firmenish, empresa de perfumaria de origem Suíça, com fábrica no Brasil. Ele organiza a compra e a logística dos alimentos na cidade, gerencia e presta contas à comunidade. Além da copaíba, trabalha também com castanha, sementes florestais e borracha. “O capital de giro mudou a vida dos extrativistas, significa comida e dinheiro na hora”, diz Pedro.

    Outros produtos ganham incentivo

    Os produtos provenientes de comunidades como as Resex da Terra do Meio são uma indiscutível tendência de mercado. Assim, uma parceria iniciada em 2013 entre a fábrica de chocolates Cacauway e os extrativistas permitiu que a empresa fabricasse bombons utilizando o cacau e as castanhas das Resex.

    “Há interesse da Cacauway em criar uma linha de produtos das Resex com identificação de origem”, afirma, Hélia Felix, a vice-presidente da Cooperativa de Agricultores Familiares (Coopatrans), situada no município de Medicilândia próximo à Altamira e que produz os bombons para a empresa.

    Ao final do encontro foi elaborado o manifesto da I Semana do Extrativismo da Terra do Meio, documento que contém um conjunto de reivindicações indicadoras de um programa de desenvolvimento para a região, baseado na riqueza socioambiental e na floresta em pé. O documento manifesto será entregue ao governador do Pará, Simão Jatene. Nele, os participantes pedem, por exemplo, a redução da pauta da borracha para R$ 2,00. Hoje a pauta está fixada em R$ 6,00 pelo governo estadual, sobre a qual incide o ICMS, de 12%, onerando o custo do produto vendido para empresas de fora do Pará. O manifesto defende ainda a criação de uma lei estadual de subvenção para produtos extrativistas, mas vai muito além disso defendendo que o Estado reconheça e aproveite o potencial da diversidade socioambiental da região e implemente políticas públicas e ações adequadas para o desenvolvimento de uma economia da floresta em pé.

    Sobre a Terra do Meio
    A Terra do Meio é formada pelas Reservas Extrativistas (Resex) do Rio Iriri, do Riozinho do Anfrísio e Xingu, Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, Estação Ecológica (Esec) da Terra do Meio, Parque Nacional (Parna) da Serra do Pardo e as Terras Indígenas Cachoeira Seca, Xypaia, Curuaia, cobrindo uma área protegida de 8,48 milhões de hectares, conectados por uma malha de rios, florestas e populações tradicionais.

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/i-semana-do-extrativismo-debate-estrategias-de-desenvolvimento-para-a-terra-do-meio-pa/feed/ 5
    Redes de sementes trocam experiências e discutem o futuro em expedição inédita http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/redes-de-sementes-trocam-experiencias-e-discutem-o-futuro-em-expedicao-inedita-2/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/redes-de-sementes-trocam-experiencias-e-discutem-o-futuro-em-expedicao-inedita-2/#comments Tue, 10 Jun 2014 15:26:36 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4270 A 1º Expedição e Intercâmbio da Rede de Sementes do Xingu (RSX) reuniu 60 participantes entre os dias 28, 29 e 30 de maio. Coletores da RSX, representantes de outras redes de sementes da Amazônia e do Cerrado, compradores e colaboradores trocaram experiências, refletiram sobre o futuro e os desafios da produção e manejo de sementes florestais.

    Cerca de 60 pessoas participaram da Expedição de redes de sementes em MT|Dannyel Sá-ISA


    A expedição começou na sede da Associação Indígena do Xingu (Atix) em Canarana (MT) e dali saiu para visitar fazendas que restauraram e continuam a restaurar áreas degradadas. Depois seguiu para Nova Xavantina (MT) onde se encerrou. Em Canarana, os participantes ouviram uma apresentação da bióloga Rosely Sanches, doutoranda da Unicamp e pesquisadora associada do ISA. Ela fez um histórico do trabalho de recuperação florestal e mostrou a evolução do desmatamento nas cabeceiras do Rio Xingu entre 1997 e 2004. Relatou como foi que o ISA e seus parceiros deram início à Campanha Y Ikatu Xingu, que depois daria origem à Rede de Sementes. A Y Ikatu Xingu nasceu em 2004 com a proposta de recuperar as nascentes e matas ciliares do Rio Xingu e a Rede de Sementes foi criada em 2007 para colaborar com a recuperação florestal promovida pela campanha.

    Rosely Sanches resgata a história da Campanha Y Ikatu Xingu e do início da recuperação de nascentes e matas ciliares do Xingu!Rizza Matos-ISA

    Na época em que a campanha teve início, Rosely trabalhava no ISA, no Parque Indígena do Xingu (PIX) e lembrou as preocupações do cacique Mairawe Kaiabi. “A cabeça do Xingu está doente, dizia ele, referindo-se às nascentes dos afluentes do rio, que ficam fora do Parque. Mairawe pediu ajuda ao ISA e aí organizou-se um encontro em Canarana, reunindo indígenas, grandes e pequenos proprietários, agricultores familiares, instituições de ensino e pesquisa, autoridades municipais, estaduais e federais e organizações da sociedade civil. Assim começou a campanha”, relembrou a pesquisadora.

    Uma das técnicas utilizadas pela campanha na restauração é o plantio direto mecanizado, que demanda uma quantidade significativa de sementes. Assim, optou-se pela muvuca, mistura de sementes nativas de diversas espécies do Cerrado , fornecidas pela Rede e que é usada com bastante sucesso. A semeadura direta, ao contrário da utilização de mudas, diminui em até 50% os custos com o plantio. A rede conta hoje com 350 coletores espalhados em 21 municípios de Mato Grosso.

    Wareaiup Kaiabi e o cacique Managu Ikpeng, resgataram as ações desenvolvidas pela Campanha. Ambos contextualizaram o esforço dos coletores e o valor que tem essa recuperação para os povos que vivem no PIX. “Nós somos apicultores e também estamos preocupados com a nossa floresta. E junto com os coletores queremos preservar as nossas matas”, afirmou Managu Ikpeng.

    Em Canarana, a expedição visitou as áreas de restauração da fazenda São Roque, de Amandio Micolino. Ele se tornou parceiro da Campanha Y Ikatu Xingu em 2008 e parte das sementes colhidas foram plantadas nos 6,5 hectares que estão em restauração em sua propriedade. Durante a visita os coletores observaram as diferentes etapas da restauração, reconheceram as espécies das sementes que coletaram. “É muito bom a gente ver as sementes que a gente coleta sendo plantadas, a gente fica animado em saber que está dando certo”, disse Odete Severino Barbosa , coletora de Bom Jesus do Araguaia.

    Expedição vai à viveiro e Casa de Sementes em Canarana|Rizza Matos-ISA

    Em Nova Xavantina, visita aos corredores verdes

    No segundo dia, a expedição seguiu para Nova Xavantina, onde conheceu de perto o trabalho do grupo que atua no município. Eles se organizam de maneira coletiva, beneficiam juntos as sementes que possuem polpas e criaram protocolos para entrega das sementes, para garantir a qualidade do lote. E para alguns integrantes desse grupo a coleta de sementes é a principal fonte de renda. Vera Oliveira vende as sementes para Rede e usa a polpa das espécies para outros produtos. “As sementes me deram uma oportunidade muito grande, a vida da minha família melhorou. Antes trabalhava como doméstica para complementar a renda, mas hoje a coleta de semente é minha atividade principal”.

    A expedição também conheceu a Casa de Sementes gerenciada pelo grupo que coleta cerca de 40 espécies. Ela funciona no quintal de Luzia Marutina de Souza. Ali, os coletores e convidados ouviram as experiências do grupo, tiraram suas dúvidas e debateram sobre suas responsabilidades. Ronaldo Nogueira da Silva, de Santa Cruz do Xingu (MT), conta que antes trabalhava com derrubada de mata, mas começou a perceber que a atividade trazia prejuízos para a natureza. “Quando o Cassiano (referindo-se a um técnico do ISA) chegou e contou que ia começar a trabalhar em um projeto para restaurar as nascentes eu disse ‘quero estar junto de vocês’”. Ronaldo conta que a semente não é sua única renda, mas é uma das mais importantes. “Essa renda da semente ajuda muito, não é pouco e nem médio, é muito mesmo. Toda vez que estava sufocado foi o dinheiro da semente que me ajudou e fico muito satisfeito porque estamos ajudando a preservar a floresta, porque hoje as águas dos rios já estão diferentes, quase não tem peixes e os bichos estão com fome na mata”.

    Em Nova Xavantina muitas espécies são coletadas nos corredores verdes que resistem nas propriedades particulares. A expedição visitou uma dessas áreas onde o grupo coleta olandi, mirindiba, tucum, angelim e guariroba e conversou sobre as diferenças da coleta na Amazônia e no Cerrado.

    No último dia o grupo visitou o campus da Universidade Estadual de Mato Grosso, Unemat onde ouviu as experiências dos representantes das redes de sementes de Apuí (AM), da Rede de Sementes da Amazônia, da Rede de Sementes do Cerrado, da Rede de Sementes Portal da Amazônia, de Alta Floresta (MT), da Associação Floresta Protegida (AFP) de Tucumã (PA), e do Pacto Xingu – projeto de restauração que está acontecendo em São Félix do Xingu (PA). “Nós estamos do outro lado do Xingu e temos interesse de criar uma rede de sementes lá também”, disse Ademar Rodrigues, secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de São Félix do Xingu. “Nesses encontros nós aprendemos as diferentes formas de organização dos grupos. Nós viemos falar do nosso trabalho e aprender sobre o trabalho de outras pessoas”, disse Anderson Rogério Lopes, animador da Rede Portal da Amazônia.

    Coletores trocaram sementes do Cerrado e Amazônia|Rizza Matos-ISA


    A 1º Expedição aproximou outras redes de sementes da Amazônia e do Cerrado, e os coletores da RSX e identificou e compartilhou práticas e informações. Para Rodrigo Gomes Vieira, da Rede de Sementes do Cerrado, a expedição proporcionou um momento de aprendizagem. “Nós entramos em contato com professores, técnicos, produtores e nivelou o nosso conhecimento, porque não adianta ter só o diploma, tem que ouvir as pessoas que trabalham no dia a dia e que fazem as coisas acontecer”.

    Rogerio Brasileiro, sócio-proprietário da Reflorestar, hoje a maior compradora da Rede, foi um dos participantes e explicou aos coletores como funciona o seu trabalho. Antes, Rogério tinha uma madeireira, mas abandonou o ramo e hoje sua principal atividade é a restauração de Áreas de Preservação Permanente (APPs) de projetos hidrelétricos em Goiás. “O custo do plantio convencional chega a R$ 18 mil por hectare e com a muvuca você consegue fazer por R$ 8 mil. E as perdas são mínimas” ressaltou. Ele tem contratos até 2018 e espera trabalhar em parceria com a Rede de Sementes. “Sem o trabalho dos coletores nada disso seria possível. No ano passado fizemos 600 hectares e nesse ano temos 850 hectares para plantar e sem a Rede não tem como dar continuidade no trabalho”. Seu depoimento emocionou os participantes.

    Rede de Sementes e Unemat inauguram laboratório de sementes

    Por último o grupo acompanhou a inauguração do Laboratório de Qualidade de Sementes Florestais da Unemat, uma parceria entre a universidade e o ISA. O laboratório vai análisar a qualidade das sementes da Rede de Sementes do Xingu e futuramente poderá desenvolver pesquisas acadêmicas.

    Mariney de Meneses, coordenadora do laboratório, disse que um dos objetivos é obter a certificação do Ministério de Agricultura Pecuária e Abastecimento. “Além de ser uma adequação legal a certificação agregará mais credibilidade e garantias aos compradores e coletores dessas sementes” disse a professora.

    Cláudia Araújo, secretária da associação da Rede de Sementes do Xingu disse ao coordenador do campus, Amintas Nazareth Rossete, que ao atender as demandas da agricultura familiar da região, o laboratório executa seu papel social de universidade pública. “Na maioria das vezes as universidades servem aos grandes projetos agropecuários que têm apenas interesses lucrativos, e agora com esse laboratório a universidade pode apoiar o trabalho feito pelos pequenos produtores da região”.

    Entre os desafios das redes de sementes estão a adequação às normas técnicas e a estruturação dessas iniciativas para atender a demandas por restauração que crescem em todo o país. Entretanto, o futuro de iniciativas como a da RSX e da coleta de sementes dependerá e muito da implantação da nova Lei Florestal aprovada em 2012 e do ajuste à Instrução Normativa 56 do Ministério da Agricultura às realidades dos produtores de sementes florestais (saiba mais). Para Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA, apesar dos avanços, algumas medidas exigidas pela IN são difíceis e até inviáveis de serem aplicadas. “A norma foi concebida e é aplicada equiparando as espécies de sementes nativas às sementes exóticas melhoradas e utilizadas em escala empresarial, como eucalipto e pinus. Conhecer e normatizar duas ou três espécies é bastante diferente de fazer o mesmo com centenas de espécies nativas que ainda são pouco conhecidas tanto do ponto de vista técnico como científico”.

    Seu Placides recebe a sanfona das mãos de Rodrigo Junqueira|Rizza Matos-ISA

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/06/10/redes-de-sementes-trocam-experiencias-e-discutem-o-futuro-em-expedicao-inedita-2/feed/ 0
    Novo volume da série “A resposta da Terra” já está disponível para download http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/22/novo-volume-da-serie-%e2%80%9ca-resposta-da-terra%e2%80%9d-ja-esta-disponivel-para-download/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/22/novo-volume-da-serie-%e2%80%9ca-resposta-da-terra%e2%80%9d-ja-esta-disponivel-para-download/#comments Thu, 22 May 2014 17:08:18 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4234

    “Experiências socioambientais desenvolvidas na região do Araguaia Xingu. O que temos aprendido?” é a quarta publicação da série “A Resposta da Terra”, que já tem outros dois livros e um documentário. O lançamento é um esforço da Articulação Xingu Araguaia (AXA) para explicar as principais iniciativas na construção de outro modelo de desenvolvimento num contexto de inúmeras pressões ambientais e sociais sofridas na região das bacias do Araguaia e Xingu.

    São sete capítulos sobre o universo dos projetos socioambientais desenvolvidos pela AXA em assentamentos de reforma agrária nessa região mato-grossense. Uma oportunidade do leitor conhecer os legados e aprendizagens de quase uma década de trabalho, desde o início da Campanha Y’Ikatu Xingu, em 2004, que virou referência na região sob a ótica da restauração florestal, experiências de valorização da floresta e conscientização ambiental.

    “Sete anos depois do início da campanha precisávamos ouvir de novo os assentados, técnicos envolvidos e os que observaram esse processo de fora. Foi isso que fizemos em 2011. O livro é o resultado desta avaliação, que traz uma riqueza de pontos de vista, além de consensos sobre os acertos e os erros durante a trajetória da AXA”, comenta Carlos García Paret, que organizou a publicação.

    “Experiências socioambientais desenvolvidas na região do Araguaia Xingu. O que temos aprendido?” foi desenvolvida no âmbito do projeto “Disseminando a cultura agroflorestal na região do Araguaia Xingu” , com recursos do programa PDA-PADEQ do Ministério de Meio Ambiente.

    Baixe o documento aqui

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/22/novo-volume-da-serie-%e2%80%9ca-resposta-da-terra%e2%80%9d-ja-esta-disponivel-para-download/feed/ 1
    Encontro marca início de projeto de produção e manejo sustentável no Xingu e Araguaia (MT/PA) http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/19/encontro-marca-inicio-de-projeto-de-producao-e-manejo-sustentavel-no-xingu-e-araguaia-mtpa/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/19/encontro-marca-inicio-de-projeto-de-producao-e-manejo-sustentavel-no-xingu-e-araguaia-mtpa/#comments Mon, 19 May 2014 15:00:35 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4202 ISA lidera iniciativa que articula 12 organizações e tem foco na estruturação e fortalecimento de cadeiras produtivas de atividades sustentáveis de populações indígenas, extrativistas e agricultores familiares em 11 municípios do Pará e Mato Grosso

    Na semana passada, foi dado o pontapé inicial de um projeto, de quase três anos, que vai contribuir para que atividades que mantêm a Floresta Amazônica em pé sejam cada vez mais viáveis e atrativas do ponto de vista econômico e sustentáveis para as populações tradicionais.

    Nos dias 13 e 14 de maio, 25 integrantes do projeto Sociobiodiversidade do Xingu, financiado pelo Fundo Amazônia, reuniram-se, em Brasília, para discutir os detalhes da execução da iniciativa. Os participantes revisaram planos, metas e indicadores do plano de monitoramento, modo coletivo e organizado de se trabalhar, fundamental na estratégia de envolver todos os parceiros na discussão dos aspectos técnicos e operacionais para atingir plenamente os objetivos do projeto.

    Yaiku Kisedje (AIK), Dannyel Sá (ISA) e Pytha Ikipeng parceiros no trabalho de coleta e comercialização de sementes no Parque Indígena do Xingu (PIX)


    O ISA lidera a iniciativa, que articula 12 organizações, tendo como foco a estruturação e fortalecimento de cadeiras produtivas que envolvam atividades econômicas sustentáveis de populações indígenas, extrativistas e agricultores familiares em 11 municípios do Pará e Mato Grosso. As ações materializam uma estratégia de atuação em várias áreas das bacias do Xingu e Araguaia.

    O projeto vai apoiar a produção e comercialização de serviços e produtos agroflorestais, como sementes e mudas florestais, borracha, castanha, pequi e outras frutas, óleos e essências amazônicos. No Mato Grosso, serão beneficiadas 320 famílias do Parque Indígena do Xingu e das Terras Indígenas Wawi e Marãwatsedé, além de 195 famílias de agricultores, distribuídas em cinco projetos de assentamento de reforma agrária. No Pará, as ações beneficiarão 31 famílias de agricultores assentados e 220 famílias de comunidades tradicionais extrativistas.

    Marco Túlio, que atua na TI Maraiwãtsédé pela Opan. O desafio de todos os participantes era apresentar-se e indicar no mapa a região em que atua no tempo em que o fogo durasse no palito de fósforo.


    As organizações que fazem parte do projeto são a Associação Comunitária Agroecológica Estrela da Paz, Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (Ansa), Associação Terra Viva de Agricultura Alternativa e Educação Ambiental, Operação Amazônia Nativa (Opan), Associação Indígena Moygu Comunidade Ikpeng (AIMCI), Associação Indígena Kisêdjê (AIK), Associação Agroextrativista Sementes da Floresta (Aasflor), Associação dos Moradores da Reserva Extrativista do Riozinho do Anfrísio (Amora), Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Rio Iriri (Amoreri), Associação dos Moradores da Reserva Extrativista Rio Xingu (Amomex), Associação Extrativista do Rio Iriri e Maribel (Aerim), Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).

    O projeto Sociobiodiversidade do Xingu foi o primeiro projeto contratado na lista de 18 selecionados pelo Fundo Amazônia no âmbito da Chamada Pública de Projetos Produtivos Sustentáveis. A chamada contemplou projetos “aglutinados” ou seja, gerenciados por uma organização “aglutinadora” e compostos de subprojetos de outras organizações menores, “executoras” ou “aglutinadas”, orientados para o desenvolvimento de, ao menos, uma das seguintes cadeias: manejo florestal madeireiro e não madeireiro; aquicultura e arranjos de pesca; sistemas agroecológicos e agroflorestais

    Sobre o Fundo Amazônia

    Criado em 2008, o Fundo Amazônia possui hoje 45 projetos já contratados, no valor de R$ 628 milhões. O Fundo capta doações destinadas a investimentos não reembolsáveis em prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e ações de conservação e uso sustentável das florestas na Amazônia. O governo da Noruega, o banco de desenvolvimento alemão KFW e a Petrobrás já destinaram recursos ao fundo, que é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

    Integrantes da iniciativa discutem detalhes da sua execuação em Brasília | Letícia Leite - ISA

    ]]> http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/05/19/encontro-marca-inicio-de-projeto-de-producao-e-manejo-sustentavel-no-xingu-e-araguaia-mtpa/feed/ 0 Confira o trabalho da Rede de Sementes do Xingu no Canal Futura http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/02/18/manejo-sustentavel-na-regiao-amazonica/ http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/02/18/manejo-sustentavel-na-regiao-amazonica/#comments Tue, 18 Feb 2014 23:55:33 +0000 admin http://www.yikatuxingu.org.br/?p=4193 O Canal Futura veiculou este mês uma série de três reportagens, “Empregos da Floresta”, sobre o manejo sustentável na região amazônica.

    Na primeira reportagem da série, a equipe do Programa Xingu do ISA fala sobre o trabalho da Rede de Sementes do Xingu (http://sementesdoxingu.org.br/) – uma rede de trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas da região do Xingu, Araguaia e Teles Pires.

    Criada em 2007 para promover os conhecimentos locais sobre uso e recuperação das florestas e cerrados do Mato Grosso, a Rede realiza um processo continuado de formação de coletores de sementes nas cabeceiras do Rio Xingu, para disponibilizar sementes na quantidade e qualidade, valorizando a florestas nativa e seus usos.

    Confira aqui

    ]]>
    http://campanhayikatuxingu.org.br/2014/02/18/manejo-sustentavel-na-regiao-amazonica/feed/ 1