As ações da Campanha Y Ikatu Xingu articulam-se em três linhas: Restauração florestal, Educação agroflorestal e Planejamento, gestão e ordenamento territorial.
Cada linha de ação contempla um conjunto diferenciado de iniciativas que contribuem para construção de um modelo de desenvolvimento que alie a produção e a conservação dos recursos naturais, valorizando a diversidade socioambiental da bacia do Rio Xingu. Há ainda uma linha transversal, que chamamos de Articulações e parcerias – é através dela que os animadores da campanha agregam novos parceiros e articulam processos de mobilização e captação de recursos que viabilizam os trabalhos.
Restauração florestal
Uma das principais linhas estratégicas da Campanha Y Ikatu Xingu é o desenvolvimento de técnicas e aperfeiçoamento de modelos para a restauração florestal que sejam ao mesmo tempo eficazes do ponto de vista ecológico e viáveis para a realidade da Bacia do Rio Xingu. Em cinco anos, a campanha já conseguiu mobilizar iniciativas que resultaram na restauração de mais de dois mil hectares de matas ciliares em pequenas, médias e grandes propriedades rurais e em assentamentos da reforma agrária.
As restaurações florestais começaram a ser realizadas em 2006 com o objetivo de recuperar nascentes e matas de beira de rio e hoje estão presentes em 18 municípios de Mato Grosso: Canarana, Água Boa, Gaucha do Norte, Querência, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia, Canabrava do Norte, São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Guarantã do Norte, Peixoto de Azevedo, Marcelândia, Cláudia, Vera, Nova Ubiratã, Feliz Natal, Nova Mutum e Tabaporã.
Uma das técnicas utilizadas é o plantio direto mecanizado de florestas, em que o próprio maquinário dos produtores rurais – plantadeira e lançadeira – é usado no plantio das sementes nativas da floresta e do cerrado. Esta técnica, que possibilita o plantio em áreas grandes a um custo significativamente mais baixo do que o plantio com mudas, ganhou destaque na Mostra de Tecnologias Sustentáveis 2010, realizada pelo Instituto Ethos.
A crescente demanda por sementes nativas para realizar os trabalhos de restauração florestal estimulou outra iniciativa: a Rede de Sementes do Xingu. Em três anos de existência, a Rede formou uma plataforma de troca e comercialização de sementes que envolve 300 famílias de coletores, 11 núcleos coletores, 12 sub-núcleos coletores, 10 assentamentos, sete comunidades indígenas e 25 entidades de 19 municípios. Além de valorizar a floresta nativa e seus usos culturais diversos, gerar renda para agricultores familiares e comunidades indígenas, ela serve como um canal de comunicação e intercâmbio entre coletores de sementes, viveiros, ONGs, proprietários rurais e demais interessados.
O crescimento das atividades de restauração florestal na região resultaram em mais um trabalho: o programa Estágio em Restauração Florestal, criado para atender a demanda por técnicos especializados. O programa foi criado pelo ISA (Instituto Socioambiental), no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu e foi viabilizado por meio de uma parceria com a prefeitura municipal de Canarana, com o apoio financeiro de José Ricardo Rezek, proprietário da Agropecuária Rica.
Outra ação desenvolvida no âmbito da campanha é a gestão socioambiental de assentamentos da reforma agrária e a criação de alternativas sustentáveis de renda para os assentados, como a produção de polpas de frutas do Cerrado. Atualmente, três assentamentos – PA Brasil Novo e PA Pingo d’Água, no município de Querência, e PA Jaraguá no município de Água Boa – abrigam agroflorestas com espécies nativas da floresta e do cerrado e trabalham com práticas sustentáveis no campo. Ainda nesta linha, a campanha desenvolve oficinas para o bom manejo e uso controlado do fogo, para evitar incêndios florestais na época das secas.
Educação Agroflorestal
A Educação agroflorestal é um dos pilares estratégicos da Campanha Y Ikatu Xingu. Nela, estão contidos os princípios fundamentais para se trabalhar a cultura florestal e agroflorestal na região.
Uma das ações realizadas nesta linha de atuação foi o projeto de formação de Agentes Socioambientais do Xingu, que envolveu mais de 200 pessoas em oficinas, cursos e práticas em escolas e mais de mil pessoas de forma indireta, ao longo de cinco anos.
Os processos formativos foram realizados junto a diferentes grupos sociais em municípios dos eixos das BR-158 e BR-163, no estado de Mato Grosso. A metodologia utilizada é a do aprender fazendo, que estimula o protagonismo e o desenvolvimento de iniciativas socioambientais, por meio do trabalho com as habilidades sociais e técnicas dos participantes. Cada formação é preparada especialmente cada público, com cuidado e respeito ao conjunto de pessoas que participam dela.
A educação agroflorestal também é utilizada como instrumento pedagógico pelas escolas e nos processos de formação de lideranças sociais que atuam em organizações parceiras da campanha. Dentro dessa linha, são desenvolvidas diversas iniciativas que envolvem a rede pública de ensino, prefeituras, comunidades indígenas e outros setores sociais, como os festivais de sementes, em que estudantes se engajam na coleta de sementes nativas do cerrado e da floresta, que são usadas nos trabalhos de restauração florestal.
A formação desses atores e organizações locais cria novas capacidades para a implantação de técnicas de manejo adequado dos recursos naturais nas propriedades rurais e espaços públicos e potencializa iniciativas que aliam conservação e recuperação de recursos naturais com a geração de renda.
Outros processos formativos acontecem no âmbito da campanha com o objetivo de contribuir para o protagonismo social e a formação de lideranças locais das organizações parceiras, como é o caso do Germinar, realizado em parceria com o instituto Ecosocial.
A mobilização social em torno dos objetivos centrais da campanha tem sido desenvolvida junto à organização de base, prefeituras e escolas ao longo dos municípios da Bacia do Xingu e através da participação e apoio a movimentos sociais em temáticas socioambientais, a exemplo da Articulação Xingu Araguaia (AXA), que envolve sete organizações no propósito de desenvolver iniciativas sustentáveis para esta região.
Planejamento, gestão e ordenamento territorial
As ações de planejamento e gestão territorial na região da Bacia do Xingu são essenciais para subsidiar as demais ações da campanha, pois fornecem uma visão integrada do território e possibilitam aos diferentes atores locais a visão da ocupação e uso do território e estado de conservação da região das cabeceiras. Através dessas ações, busca-se contribuir na definição política e institucional nos arranjos viáveis para o processo de adequação socioambiental nos diferentes níveis: bacia, sub-bacia, município e propriedade.
A publicação de estudos como o “O que eu faço com esse mato?”, que ilumina questões e traz soluções e alternativas de regularização ambiental, é um dos meios para se alcançar esse objetivo.
São realizadas ainda ações locais, como as análises de paisagem de sub-bacias, como as de Suiá e Manito e a realização de estudos preliminares e diagnósticos que subsidiam as discussões para ações de ordenamento territorial, tais como os ZSEEs municipais (Zoneamento Socioeconômico Ecológico). Atualmente, a campanha apóia iniciativas de planejamento e adequação socioambiental dos municípios de Canarana, Querência, São José do Xingu, Marcelândia e Cláudia.
O acompanhamento das políticas públicas que incidem diretamente sobre o território da Bacia do Xingu, tais como o Código Florestal, o ZSEE de Mato Grosso e a implantação de obras de infra-estrutura, é outra importante estratégia das organizações envolvidas na campanha.
As ações da Campanha Y Ikatu Xingu articulam-se em três linhas: Restauração florestal, Educação agroflorestal e Planejamento, gestão e ordenamento territorial.
Cada linha de ação contempla um conjunto diferenciado de iniciativas que contribuem para construção de um modelo de desenvolvimento que alie a produção e a conservação dos recursos naturais, valorizando a diversidade socioambiental da bacia do Rio Xingu. Há ainda uma linha transversal, que chamamos de Articulações e parcerias – é através dela que os animadores da campanha agregam novos parceiros e articulam processos de mobilização e captação de recursos que viabilizam os trabalhos.
Uma das principais linhas estratégicas da Campanha Y Ikatu Xingu é o desenvolvimento de técnicas e aperfeiçoamento de modelos para a restauração florestal que sejam ao mesmo tempo eficazes do ponto de vista ecológico e viáveis para a realidade da Bacia do Rio Xingu. Em cinco anos, a campanha já conseguiu mobilizar iniciativas que resultaram na restauração de mais de dois mil hectares de matas ciliares em pequenas, médias e grandes propriedades rurais e em assentamentos da reforma agrária.
As restaurações florestais começaram a ser realizadas em 2006 com o objetivo de recuperar nascentes e matas de beira de rio e hoje estão presentes em 18 municípios de Mato Grosso: Canarana, Água Boa, Gaucha do Norte, Querência, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia, Canabrava do Norte, São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Guarantã do Norte, Peixoto de Azevedo, Marcelândia, Cláudia, Vera, Nova Ubiratã, Feliz Natal, Nova Mutum e Tabaporã.
Uma das técnicas utilizadas é o plantio direto mecanizado de florestas, em que o próprio maquinário dos produtores rurais – plantadeira e lançadeira – é usado no plantio das sementes nativas da floresta e do cerrado. Esta técnica, que possibilita o plantio em áreas grandes a um custo significativamente mais baixo do que o plantio com mudas, ganhou destaque na Mostra de Tecnologias Sustentáveis 2010, realizada pelo Instituto Ethos.
A crescente demanda por sementes nativas para realizar os trabalhos de restauração florestal estimulou outra iniciativa: a Rede de Sementes do Xingu. Em três anos de existência, a Rede formou uma plataforma de troca e comercialização de sementes que envolve 300 famílias de coletores, 11 núcleos coletores, 12 sub-núcleos coletores, 10 assentamentos, sete comunidades indígenas e 25 entidades de 19 municípios. Além de valorizar a floresta nativa e seus usos culturais diversos, gerar renda para agricultores familiares e comunidades indígenas, ela serve como um canal de comunicação e intercâmbio entre coletores de sementes, viveiros, ONGs, proprietários rurais e demais interessados.
O crescimento das atividades de restauração florestal na região resultaram em mais um trabalho: o programa Estágio em Restauração Florestal, criado para atender a demanda por técnicos especializados. O programa foi criado pelo ISA (Instituto Socioambiental), no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu e foi viabilizado por meio de uma parceria com a prefeitura municipal de Canarana, com o apoio financeiro de José Ricardo Rezek, proprietário da Agropecuária Rica.
Outra ação desenvolvida no âmbito da campanha é a gestão socioambiental de assentamentos da reforma agrária e a criação de alternativas sustentáveis de renda para os assentados, como a produção de polpas de frutas do Cerrado. Atualmente, três assentamentos – PA Brasil Novo e PA Pingo d’Água, no município de Querência, e PA Jaraguá no município de Água Boa – abrigam agroflorestas com espécies nativas da floresta e do cerrado e trabalham com práticas sustentáveis no campo. Ainda nesta linha, a campanha desenvolve oficinas para o bom manejo e uso controlado do fogo, para evitar incêndios florestais na época das secas.
A Educação agroflorestal é um dos pilares estratégicos da Campanha Y Ikatu Xingu. Nela, estão contidos os princípios fundamentais para se trabalhar a cultura florestal e agroflorestal na região.
Uma das ações realizadas nesta linha de atuação foi o projeto de formação de Agentes Socioambientais do Xingu, que envolveu mais de 200 pessoas em oficinas, cursos e práticas em escolas e mais de mil pessoas de forma indireta, ao longo de cinco anos.
Os processos formativos foram realizados junto a diferentes grupos sociais em municípios dos eixos das BR-158 e BR-163, no estado de Mato Grosso. A metodologia utilizada é a do aprender fazendo, que estimula o protagonismo e o desenvolvimento de iniciativas socioambientais, por meio do trabalho com as habilidades sociais e técnicas dos participantes. Cada formação é preparada especialmente cada público, com cuidado e respeito ao conjunto de pessoas que participam dela.
A educação agroflorestal também é utilizada como instrumento pedagógico pelas escolas e nos processos de formação de lideranças sociais que atuam em organizações parceiras da campanha. Dentro dessa linha, são desenvolvidas diversas iniciativas que envolvem a rede pública de ensino, prefeituras, comunidades indígenas e outros setores sociais, como os festivais de sementes, em que estudantes se engajam na coleta de sementes nativas do cerrado e da floresta, que são usadas nos trabalhos de restauração florestal.
A formação desses atores e organizações locais cria novas capacidades para a implantação de técnicas de manejo adequado dos recursos naturais nas propriedades rurais e espaços públicos e potencializa iniciativas que aliam conservação e recuperação de recursos naturais com a geração de renda.
Outros processos formativos acontecem no âmbito da campanha com o objetivo de contribuir para o protagonismo social e a formação de lideranças locais das organizações parceiras, como é o caso do Germinar, realizado em parceria com o instituto Ecosocial.
A mobilização social em torno dos objetivos centrais da campanha tem sido desenvolvida junto à organização de base, prefeituras e escolas ao longo dos municípios da Bacia do Xingu e através da participação e apoio a movimentos sociais em temáticas socioambientais, a exemplo da Articulação Xingu Araguaia (AXA), que envolve sete organizações no propósito de desenvolver iniciativas sustentáveis para esta região.
As ações de planejamento e gestão territorial na região da Bacia do Xingu são essenciais para subsidiar as demais ações da campanha, pois fornecem uma visão integrada do território e possibilitam aos diferentes atores locais a visão da ocupação e uso do território e estado de conservação da região das cabeceiras. Através dessas ações, busca-se contribuir na definição política e institucional nos arranjos viáveis para o processo de adequação socioambiental nos diferentes níveis: bacia, sub-bacia, município e propriedade.
A publicação de estudos como o “O que eu faço com esse mato?”, que ilumina questões e traz soluções e alternativas de regularização ambiental, é um dos meios para se alcançar esse objetivo.
Outra importante ferramenta para acompanhar a evolução da ocupação e as mudanças na região é o monitoramento ambiental do uso e ocupação do território da bacia hidrográfica do Xingu no Mato Grosso, realizado anualmente.
São realizadas ainda ações locais, como as análises de paisagem de sub-bacias, como as de Suiá e Manito e a realização de estudos preliminares e diagnósticos que subsidiam as discussões para ações de ordenamento territorial, tais como os ZSEEs municipais (Zoneamento Socioeconômico Ecológico). Atualmente, a campanha apóia iniciativas de planejamento e adequação socioambiental dos municípios de Canarana, Querência, São José do Xingu, Marcelândia e Cláudia.
O acompanhamento das políticas públicas que incidem diretamente sobre o território da Bacia do Xingu, tais como o Código Florestal, o ZSEE de Mato Grosso e a implantação de obras de infra-estrutura, é outra importante estratégia das organizações envolvidas na campanha.