Iniciativas e desafios para a construção de uma sociedade sustentável são apresentados no 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu
Publicado:abril 19, 2010
O evento realizado em Canarana, MT, no âmbito da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, reuniu mais de 300 pessoas.
Por Fernanda Bellei
Cuidar do meio ambiente sem descuidar do desenvolvimento social é um dos maiores desafios do nosso tempo, em todo o mundo. É a partir deste desafio que surgem experiências, trocas e mudanças que transformam o nosso meio. O 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, realizado em Canarana, MT, nos dias 15, 16 e 17 de abril, pelas instituições da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, foi vitrine de algumas ações que já são realizadas neste sentido em toda a região da bacia do rio Xingu.
Kawire e Oreme Ikpeng mostram sementes de árvores nativas do Xingu. Foto: Fernanda Bellei
Educação diferenciada, voltada para a construção de um ambiente mais saudável, práticas rurais de baixo impacto ambiental e atividades que valorizam a natureza e a diversidade cultural do Xingu estão se multiplicando e envolvendo cada vez mais pessoas. Uma dessas iniciativas é o MJI – Movimento Jovem Ikpeng, que começou com o intuito de resgatar e preservar as tradições Ikpeng e hoje suas práticas e conhecimentos viajam quilômetros de distância e chegam até aldeias de outras etnias, cidades e assentamentos.
Kawire Ikpeng e Oreme Ikpeng, participantes do MJI, conhecem profundamente as propriedades e utilidades de diversas árvores e plantas que existem em sua aldeia. Durante o terceiro dia da oficina “Coleta, beneficiamento e armazenamento de sementes florestais”, realizada no dia 17 de abril, Kawire contou que o Baru, castanha apreciada na região do Xingu, é usada na confecção de pontas de flecha, enquanto a fibra da embaúba serve para fazer a corda do arco. Já o fruto da mutamba é fervido para se fazer mingau, misturado ao polvilho. Os agricultores que participaram da oficina se disseram impressionados com o vasto conhecimento dos indígenas.
“É impressionante ver a riqueza da nossa natureza e tudo o que é possível fazer com seus recursos. Ficamos muito agradecidos por poder aprender tudo isso”, disse Ingo Marmet, secretário de agricultura de Santa Cruz do Xingu, município ao norte do Mato Grosso. “Nós, do assentamento Dom Pedro, em São Félix do Araguaia, já aprendemos muito sobre as plantas e árvores da nossa região, mas vejo agora que há sempre muito mais a aprender”, completou Luiz Pereira Sirqueira, produtor familiar. Ao final da oficina, indígenas e produtores trocavam informações sobre as propriedades e usos das espécies nativas da região.
Educação e gestão de projetos
Colocar ideias e sonhos em prática pode não ser tarefa das mais fáceis, mas se torna perfeitamente possível com dedicação, planejamento e clareza de objetivo. Os caminhos possíveis para concretizar o que é abstrato foram abordados na oficina “Elaboração e gestão de projetos socioambientais”, realizada no dia 16 de abril, por Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, uma das iniciativas do ISA (Instituto Socioambiental).
Independente de ser grande ou pequeno, profissional, pessoal ou social, um projeto não precisa apenas de disciplina e de um plano de ação para alcançar resultados. A consistência da proposta, segundo Rodrigo, está diretamente ligada a quem propõe a ação. Assim, se a ideia a ser colocada em prática partir de quem escreve o projeto, as chances de se ter sucesso são significativamente maiores. Ao longo das sete horas da oficina, os participantes começaram a expor suas questões e compartilhar ideias no grupo.
A oficina “Alternativas pedagógicas e o desenvolvimento da criança”, realizada pelas educadoras Vanda Amaro e
Educadora Luana Pimentel durante a oficina “Alternativas pedagógicas e o desenvolvimento da criança”. Foto: Fernanda Bellei
Luana Pimentel, no dia 17 de abril, trouxe informações sobre a pedagogia Waldorf e atividades práticas que podem ser aplicadas em sala de aula, como cantos e brincadeiras que envolvem a comunidade escolar e respeitam o tempo e as fases de desenvolvimento da criança.
Fundo Xingu Educadores
O 1° Seminário de Agentes Socioambientais também foi palco para o encerramento do Fundo Xingu Educadores, projeto concebido e articulado no âmbito da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, com apoio da Icatu Hartford Seguros, para potencializar iniciativas de educação, apresentando idéias criativas de inclusão da temática socioambiental como instrumento pedagógico.
Em sua segunda edição, realizada em 2009, foram aprovados dez projetos, em escolas de cinco municípios matogrossenses: “O buritizeiro, suas palhas, talos, tronco e frutos”, da EMPG Antonieta Mielges Camargo, em Ribeirão Cascalheira; “Parque-escola Casa da Criança”, da EMEI Novo Lar, em Canarana; “Segurança alimentar: frutos do Cerrado e as hortaliças”, da EMEB Apóstolo Paulo, em Água Boa; “Viveiro escolar: semeando idéias e espécies do bioma cerrado”, da EMEB Jose Guilherme da Silva, em Campinápolis; “Compostagem e vermicompostagem na escola”, da EE Norberto Schwantes, em Canarana; “Rádio-Escola da EE Paulo Freire”, em Canarana; “Recuperação e conservação do solo através da agrofloresta”, da EE 31 de março, em Canarana; “Produzir e reflorestar: restauração de áreas”, da EMEB Coronel Vanick, em Canarana; “Reimplantação da horta medicinal”, da EMFAQUE, em Querência, e “Ribeirão Bonito: um rio de histórias”, Escola Estadual de Educação Básica Coronel Ondino Rodrigues Lima, em Ribeirão Cascalheira.
Sobre um pote de semente, uma foto dos alunos da EMEB Apóstolo Paulo, em Água Boa, MT, que desenvolveu o projeto “Segurança alimentar: frutos do Cerrado e as hortaliças”. Foto: Fernanda Bellei
Caminhos trilhados e caminhos possíveis
‘O que é ser um agente de mudança socioambiental?’ Esta foi a questão que norteou a mesa redonda que fechou o 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, após uma jornada de três dias repletos de oficinas, dinâmicas e discussões. O engenheiro agrônomo Rodrigo Junqueira, a secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Canarana, Eliane Felten, o designer gráfico Marcelo Maceo, o professor Maiua Txicão, da aldeia Moygu, e o pedagogo social Jacques Uljee, que compuseram a mesa, trouxeram sua visão sobre a vida em sociedade e as responsabilidades de cada um com o meio onde vivemos.
Maceo citou a importância de região do Xingu, sob o ponto de vista cultural e ambiental, por seu potencial de ser abrigo de uma nova forma de relação com o meio, enquanto Jacques Uljee destacou aspectos da convivência e do respeito às diferenças.
Eliane Felten e Rodrigo Junqueira falaram sobre a experiência de participar de ações concretas, que estão recuperando o ambiente e mudando vidas no Xingu. “A gente valoriza essa vontade e disposição de fazer algo real, com o pé no chão. Aqui, nós vemos o ideal se tornar realidade”, afirmou Eliane.
O evento Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu é realizado com o apoio financeiro da União Européia.
Iniciativas e desafios para a construção de uma sociedade sustentável são apresentados no 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu
O evento realizado em Canarana, MT, no âmbito da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, reuniu mais de 300 pessoas.
Por Fernanda Bellei
Cuidar do meio ambiente sem descuidar do desenvolvimento social é um dos maiores desafios do nosso tempo, em todo o mundo. É a partir deste desafio que surgem experiências, trocas e mudanças que transformam o nosso meio. O 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, realizado em Canarana, MT, nos dias 15, 16 e 17 de abril, pelas instituições da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, foi vitrine de algumas ações que já são realizadas neste sentido em toda a região da bacia do rio Xingu.
Kawire e Oreme Ikpeng mostram sementes de árvores nativas do Xingu. Foto: Fernanda Bellei
Educação diferenciada, voltada para a construção de um ambiente mais saudável, práticas rurais de baixo impacto ambiental e atividades que valorizam a natureza e a diversidade cultural do Xingu estão se multiplicando e envolvendo cada vez mais pessoas. Uma dessas iniciativas é o MJI – Movimento Jovem Ikpeng, que começou com o intuito de resgatar e preservar as tradições Ikpeng e hoje suas práticas e conhecimentos viajam quilômetros de distância e chegam até aldeias de outras etnias, cidades e assentamentos.
Kawire Ikpeng e Oreme Ikpeng, participantes do MJI, conhecem profundamente as propriedades e utilidades de diversas árvores e plantas que existem em sua aldeia. Durante o terceiro dia da oficina “Coleta, beneficiamento e armazenamento de sementes florestais”, realizada no dia 17 de abril, Kawire contou que o Baru, castanha apreciada na região do Xingu, é usada na confecção de pontas de flecha, enquanto a fibra da embaúba serve para fazer a corda do arco. Já o fruto da mutamba é fervido para se fazer mingau, misturado ao polvilho. Os agricultores que participaram da oficina se disseram impressionados com o vasto conhecimento dos indígenas.
“É impressionante ver a riqueza da nossa natureza e tudo o que é possível fazer com seus recursos. Ficamos muito agradecidos por poder aprender tudo isso”, disse Ingo Marmet, secretário de agricultura de Santa Cruz do Xingu, município ao norte do Mato Grosso. “Nós, do assentamento Dom Pedro, em São Félix do Araguaia, já aprendemos muito sobre as plantas e árvores da nossa região, mas vejo agora que há sempre muito mais a aprender”, completou Luiz Pereira Sirqueira, produtor familiar. Ao final da oficina, indígenas e produtores trocavam informações sobre as propriedades e usos das espécies nativas da região.
Educação e gestão de projetos
Colocar ideias e sonhos em prática pode não ser tarefa das mais fáceis, mas se torna perfeitamente possível com dedicação, planejamento e clareza de objetivo. Os caminhos possíveis para concretizar o que é abstrato foram abordados na oficina “Elaboração e gestão de projetos socioambientais”, realizada no dia 16 de abril, por Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, uma das iniciativas do ISA (Instituto Socioambiental).
Independente de ser grande ou pequeno, profissional, pessoal ou social, um projeto não precisa apenas de disciplina e de um plano de ação para alcançar resultados. A consistência da proposta, segundo Rodrigo, está diretamente ligada a quem propõe a ação. Assim, se a ideia a ser colocada em prática partir de quem escreve o projeto, as chances de se ter sucesso são significativamente maiores. Ao longo das sete horas da oficina, os participantes começaram a expor suas questões e compartilhar ideias no grupo.
A oficina “Alternativas pedagógicas e o desenvolvimento da criança”, realizada pelas educadoras Vanda Amaro e
Educadora Luana Pimentel durante a oficina “Alternativas pedagógicas e o desenvolvimento da criança”. Foto: Fernanda Bellei
Luana Pimentel, no dia 17 de abril, trouxe informações sobre a pedagogia Waldorf e atividades práticas que podem ser aplicadas em sala de aula, como cantos e brincadeiras que envolvem a comunidade escolar e respeitam o tempo e as fases de desenvolvimento da criança.
Fundo Xingu Educadores
O 1° Seminário de Agentes Socioambientais também foi palco para o encerramento do Fundo Xingu Educadores, projeto concebido e articulado no âmbito da Campanha ‘Y Ikatu Xingu, com apoio da Icatu Hartford Seguros, para potencializar iniciativas de educação, apresentando idéias criativas de inclusão da temática socioambiental como instrumento pedagógico.
Em sua segunda edição, realizada em 2009, foram aprovados dez projetos, em escolas de cinco municípios matogrossenses: “O buritizeiro, suas palhas, talos, tronco e frutos”, da EMPG Antonieta Mielges Camargo, em Ribeirão Cascalheira; “Parque-escola Casa da Criança”, da EMEI Novo Lar, em Canarana; “Segurança alimentar: frutos do Cerrado e as hortaliças”, da EMEB Apóstolo Paulo, em Água Boa; “Viveiro escolar: semeando idéias e espécies do bioma cerrado”, da EMEB Jose Guilherme da Silva, em Campinápolis; “Compostagem e vermicompostagem na escola”, da EE Norberto Schwantes, em Canarana; “Rádio-Escola da EE Paulo Freire”, em Canarana; “Recuperação e conservação do solo através da agrofloresta”, da EE 31 de março, em Canarana; “Produzir e reflorestar: restauração de áreas”, da EMEB Coronel Vanick, em Canarana; “Reimplantação da horta medicinal”, da EMFAQUE, em Querência, e “Ribeirão Bonito: um rio de histórias”, Escola Estadual de Educação Básica Coronel Ondino Rodrigues Lima, em Ribeirão Cascalheira.
Sobre um pote de semente, uma foto dos alunos da EMEB Apóstolo Paulo, em Água Boa, MT, que desenvolveu o projeto “Segurança alimentar: frutos do Cerrado e as hortaliças”. Foto: Fernanda Bellei
Caminhos trilhados e caminhos possíveis
‘O que é ser um agente de mudança socioambiental?’ Esta foi a questão que norteou a mesa redonda que fechou o 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, após uma jornada de três dias repletos de oficinas, dinâmicas e discussões. O engenheiro agrônomo Rodrigo Junqueira, a secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Canarana, Eliane Felten, o designer gráfico Marcelo Maceo, o professor Maiua Txicão, da aldeia Moygu, e o pedagogo social Jacques Uljee, que compuseram a mesa, trouxeram sua visão sobre a vida em sociedade e as responsabilidades de cada um com o meio onde vivemos.
Maceo citou a importância de região do Xingu, sob o ponto de vista cultural e ambiental, por seu potencial de ser abrigo de uma nova forma de relação com o meio, enquanto Jacques Uljee destacou aspectos da convivência e do respeito às diferenças.
Eliane Felten e Rodrigo Junqueira falaram sobre a experiência de participar de ações concretas, que estão recuperando o ambiente e mudando vidas no Xingu. “A gente valoriza essa vontade e disposição de fazer algo real, com o pé no chão. Aqui, nós vemos o ideal se tornar realidade”, afirmou Eliane.
O evento Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu é realizado com o apoio financeiro da União Européia.