Frutos do Cerrado ganham espaço e envolvem comunidade no Xingu

1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, realizado no município de Canarana, Mato Grosso, teve oficina de culinária e coquetel com espécies nativas
Por Fernanda Bellei

O Cerrado brasileiro é um dos biomas de maior biodiversidade do mundo e dele brotam frutos que ainda são desconhecidos da população, mas que, aos poucos, começam a entrar em nosso cardápio. Frutas como o buriti, o pequi, a cagaita e o murici estão cada vez mais presentes em sorvetes, sucos e tortas, criando um movimento que não só valoriza a natureza local, mas também gera renda para produtores que se dedicam a cultivar as espécies nativas. Algumas iniciativas de cultivo e de uso dessas frutas em cardápios escolares na região da bacia do Rio Xingu foram apresentadas durante o 1° Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, realizado no município de Canarana, Mato Grosso, que foi encerrado no dia 17 de abril com um coquetel recheado de frutos típicas do Cerrado.

Coquetel de frutos do Cerrado servido no Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu, em Canarana, MT

Merenda nativa
As batidas de murici e de buriti, os pastéis de frango com macaúba e com guariroba, o pão de queijo frito com jatobá e o cuscuz de frango com pequi servidos no coquetel de encerramento do seminário são algumas das especialidades das professoras Patrícia Bortulluzzo, Sidna de Jesus Carvalho, Elma de Morais e Josenilde Paniago. Elas são responsáveis pelo projeto frutos do Cerrado, da escola Apóstolo Paulo, no bairro Serrinha, em Água Boa, Mato Grosso. Seus alunos construíram e cuidam de uma horta e um canteiro de agrofloresta de onde sai parte dos alimentos utilizados na merenda escolar.

Sidna conta que, hoje, cinco anos após a criação da horta, os alunos levam mudas das árvores para seus pais, que pedem as receitas da escola para preparar os pratos em casa. Sidna, que participou da formação de Agentes Socioambientais do Xingu, assim como Patrícia e Josenilde, afirma que ainda há muito a aprender. “A professora Patrícia já fazia pesquisas sobre o Cerrado e envolvia seus alunos com o tema. As formações de agentes socioambientais nos deram mais informações ainda sobre o uso e cultivos dessas espécies, mas ainda não sabemos tudo, estamos sempre em busca de mais conhecimento”.

“Foi uma ótima experiência ter nosso trabalho reconhecido no seminário e serviu de estímulo para continuar

Crianças na agrofloresta da escola Apóstolo Paulo, em Água Boa, MT.

aperfeiçoando nossas ações. Agora nós estamos criando um campo experimental para a produção de mudas de espécies nativas que serão distribuídas em assentamentos, fazendas e áreas onde a mata ciliar precisa ser recomposta”, disse Patrícia Bortulluzzo.

Produção diversificada
O produtor Edemo Corrêa, da fazenda Recanto Água Limpa, em Canarana, é referência na região quando o assunto é cultivo de espécies nativas. Ele realizou a oficina de culinária do Cerrado no dia 16 de abril, dentro da programação do seminário, onde ensinou diversas receitas que têm o pequi como base. “O pequi é um fruto muito versátil e deveria ser mais explorado em nossa culinária. Aqui na oficina nós fizemos pães, tapioca, pequi no leite… E ainda dava para fazer muito mais”. Durante todo o seminário, Edemo, que também participou da formação de agente socioambiental, compartilhou seu vasto conhecimento sobre as propriedades de diversas espécies, como a mangaba, jatobá, jambolão e jenipapo, mostrando as fotos das árvores de sua fazenda. “Muitas pessoas me procuram em busca desses frutos. Alguns deles têm propriedades terapêuticas impressionantes”.

Edemo Corrêa ensina a fazer a tapioca de pequi na oficida de culinária do Cerrado. Foto: Fernanda Bellei

Educação Agroflorestal
A educação agroflorestal é um elemento presente nas formações de Agentes Socioambientais do Xingu, realizadas pelas instituições envolvidas na Campanha ‘Y Ikatu Xingu. A agrofloresta, ou sistema agroflorestal (SAF), é o manejo que integra as culturas agrícolas e as florestais, em uma estratégia que alia produção e preservação. A introdução de espécies típicas do Cerrado e da região do Xingu é incentivada nas práticas, como uma forma de valorizar a biodiversidade local.

O evento Seminário de Agentes Socioambientais do Xingu é realizado com o apoio financeiro da União Européia.

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