Sempre é cedo para combater o fogo

Campanha contra o uso irracional do fogo envolve mais de 70 pessoas em oficinas de roças sem fogo e queimadas controladas
Por Maíra Ribeiro e Abilio Vinicius

Não é mais segredo para ninguém que as queimadas tem trazido inúmeros prejuízos para a nossa região. São prejuízos econômicos, como a destruição de plantios, pastagens, cercas, casas e farinheiras, ou ainda ambientais, como a poluição do ar, a destruição de extensas áreas de vegetação nativa e morte de animais silvestres. As queimadas também provocam internação especialmente de crianças e idosos com problemas respiratórios, gerando prejuízos sociais e demanda por gastos públicos vultosos.

As famílias agricultoras estão dispostos a trabalhar de forma diferente, seja através do plantio diversificado e da produção sem uso de agrotóxicos, seja através da preservação e recuperação das matas que protegem as nascentes e rios dos assentamentos. Para estas famílias, o fogo é uma ameaça, tanto para si, pelos prejuízos que causa, como para a produção. Neste contexto, durante o mês de abril, reuniram-se em oficinas organizadas pela Articulação Xingu Araguaia, AXA.

A AXA é uma articulação entre entidades que atuam para enfrentar os problemas socioambientais das bacias do Xingu e do Araguaia. Desde seu surgimento, vem promovendo uma série de iniciativas visando enfrentar as queimadas dentro da Campanha contra o uso irracional do fogo, como os seminários de lançamento da Campanha, oficinas de roças sem fogo, oficinas de queimadas controladas e, agora, de 24 de abril a 04 de maio, organizou uma rodada de seis oficinas de construção de abafadores para combate aos incêndios em assentamentos e acampamentos de reforma agrária. As oficinas contaram com a presença do instrutor Saulo Andrade, biólogo do Instituto Socioambiental de Brasília, que hoje trabalha com as temáticas das mudanças climáticas.

O abafador é uma ferramenta construída com um tapete de borracha parafusado a um cabo de madeira, que substitui com mais eficiência os galhos de árvores, que são normalmente utilizados para abafar o fogo. Além disso, protege e preserva a integridade de quem combate ao fogo, ao contrário dos galhos.

As oficinas foram realizadas nos Assentamentos Manah, em Canabrava do Norte, Macife, em Novo Santo Antônio, Dom Pedro, em São Felix do Araguaia, Brasil Novo em Querência e no acampamento da Bordolândia em Serra Nova Dourada, somando mais de 70 participantes. Na maioria dos lugares, cada pessoa levou seu abafador para casa, comprometido a ajudar a apagar fogos descontrolados na sua comunidade. No setor Escolinha do PA Dom Pedro, a comunidade decidiu deixar todos os abafadores no local da oficina, eleito como a sede da brigada anti-incêndio da comunidade. Assim como nos acampamentos da Bordolândia de Bom Jesus e Serra Nova, onde a proximidade dos barracos facilita a organização do combate ao fogo.

As oficinas foram avaliadas de forma muito positiva pelos participantes, e equiparam as comunidades no sentido de formarem brigadas informais para se protegerem. Agora, as comunidades se sentem preparados tanto para o combate dos incêndios florestais, como na proposição, sensibilização e divulgação de alternativas ao uso do fogo.

Visando os próximos passos da Campanha contra o uso irracional do fogo, os participantes desejam ampliar e diversificar as alternativas de não uso do fogo como as roças permanentes, sistema casadão (onde se consorciam as culturas anuais, com espécies frutíferas, florestais, medicinais, forrageiras e outras), sistemas agrossilvipastoris (agricultura, floresta e pasto em uma mesma área), implantação de hortas, de pomares, criação de pequenos animais a exemplo das abelhas sem ferrão, dentre outros.

A luta contra o fogo, portanto continua!!!

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