Meliponicultores do Parque Indígena Xingu participam de encontro brasileiro em Cuiabá-MT

Chadawa Juruna e cacique Mairata Kaiabi compartilharam suas experiências com a produção de mel de abelhas nativas na aldeia Moitará no Parque Indígena Xingu.
Por Cristina Velasquez

O 18ª Congresso Brasileiro de Apicultura e 4º Congresso Brasileiro de Meliponicultura (criação de abelhas nativas sem ferrão), realizado entre os dias 19 e 22 de maio de 2010, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá -Mato Grosso reuniu apicultores, especialistas e pesquisadores, que, além de apresentar suas experiências, conheceram, debateram e impulsionaram iniciativas inovadoras e sustentáveis para apicultura brasileira. Entre os participantes estavam Chadawa Juruna, representante indígena do povo Yudja, e o cacique Mairata Kaiabi.

O evento foi realizado pela Federação das Entidades Apícolas do Estado de Mato Grosso (Feapismat), Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), Governo de Mato Grosso e Sebrae e teve com o tema “Abelhas: Polinizadoras do Desenvolvimento Sustentável”. Segundo assessoria de imprensa do evento, os temas meio ambiente, tecnologia e mercado foram os três eixos norteadores da programação técnica. Palestras, mesas-redondas, mini-cursos, clínicas tecnológicas e outras atividades propiciaram debates sobre o papel da apicultura no âmbito local, nacional e internacional.

Chadawa e Mairata estavam entre os 1.340 participantes do evento, sendo 630 de Mato Grosso e 710 de outros estados. Eles compartilharam suas experiências com a produção de mel de abelhas nativas na aldeia Moitará no Parque Indígena Xingu.

De acordo com o cacique Mairata, produtor e participante do evento, o encontro com demais meliponicultores do Brasil puderam trocar experiências e falar sobre as formas de extração de colméias, processo de reconhecimento do mel de abelha nativa, patenteamento entre outros assuntos pertinentes a esse grupo de produtores.

No PIX o interesse pela produção de “mel de abelhinha”, como vem sendo conhecida, tem crescido bastante. O Chadawa Juruna foi um dos convidados a participar do Congresso e da oficina sobre meliponicultura. Para ele, a decisão de passar a trabalhar com mel de abelhinha está sendo pesquisada pelo seu povo pelas qualidades medicinais do mel e seus benefícios. “Pretendo voltar e explicar tudo o que o que vi lá para minha comunidade e decidir como vamos produzir”, comentou Chadawa.

O Cacique Mairata tem atualmente em sua aldeia 100 colméias de produção de mel de abelhinha e toda a produção, cerca de 50 quilos no ano passado, foi utilizada para o consumo interno da comunidade Kaiabi da aldeia Moitará, um pouco dessa produção é distribuído para outras aldeias interessadas em conhecer esse tipo de mel.

Mairata diz que o trabalho com essas abelhas sem ferrão é muito bom, de fácil manuseio, mas exige cuidados especiais, como a forma de extração delicada do mel de cada colméia, a alimentação das abelhas entre outras. Ele pretende expandir sua produção e chegar até 300 colméias nos próximos anos, podendo assim comercializar seu mel para fora do parque com o apoio da ATIX (Associação Terra Índígena Xingu).

“Quando começamos em 2007 produzimos 30 quilos, em 2009 produzimos menos de 60 quilos, retirados de 50 colméias. Já neste ano, reproduzimos as colméias e chegamos a 100. A produção de mel de abelha sem ferrão é muito bom, é medicinal… A gente que é da floresta já sabe como elas funcionam, agora precisamos lutar para patentear e conseguir reconhecer esse tipo de produto pelo governo” diz o cacique. “Nosso sonho é ter o registro e o rótulo do nosso produto”, complementa.

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