Por Fernanda Bellei, ISA
A riqueza de espécies do cerrado e da floresta e o valor do contato com a terra são temas que entraram definitivamente para o currículo dos alunos da Escola Estadual 31 de Março, no município de Canarana, Mato Grosso. Através da implantação e manutenção de agroflorestas e hortas, os mais de 200 estudantes estão aprendendo na prática a reconhecer e a valorizar a biodiversidade local.
Agroflorestas são sistemas produtivos que permitem aliar culturas agrícolas e florestais em um mesmo espaço. Os canteiros de agrofloresta foram implantados em 2009, em uma área degradada da escola. Uma das pessoas envolvidas na iniciativa foi a então professora Jaciane Gonzatto Gromann, participante de uma das turmas de Agentes Socioambientais do Xingu, formação realizada pelo ISA (Instituto Socioambiental) para o desenvolvimento da educação agroflorestal.
“Nós implantamos a agrofloresta com espécies frutíferas do Cerrado e algumas hortaliças que já foram colhidas e utilizadas na merenda escolar”, conta Jaciane, que parou de lecionar este ano, mas garante que a experiência de trabalhar com agroflorestas foi marcante em sua vida profissional. “O primeiro passo foi explicar aos alunos o que é uma agrofloresta. Depois disso, começamos a colocá-los em contato com as plantas e falar sobre a variedade de espécies que temos nessa região. O envolvimento foi surpreendente. Acho que eles sentem falta de ter esse contato com a terra”.
A professora Lisonete Fernandes, que também participou da formação de Agentes Socioambientais e da implantação da agrofloresta, explica que, em uma área de 60 m² é possível trabalhar diversos temas com os alunos “A agrofloresta é usada para trabalhos de conscientização e preservação da natureza. Nós abordamos a importância das hortaliças em nossa alimentação e estudamos as demais frutas que colheremos futuramente”.A diretora da escola, Janete Ortolan, explica que o envolvimento dos alunos e das professoras é um índice de que essa foi uma iniciativa acertada. “É importante ressaltar que todas as professoras estão envolvidas nesse trabalho. Nas aulas de matemática elas trabalham a medição de canteiros, as professoras de português abordam textos relacionados ao projeto e, em ciências, é possível estudar a importância das vitaminas das hortaliças para nossa saúde”.
Projeto Horta
A horta escolar começou a se tornar realidade em março deste ano, quando foram feitas as primeiras pesquisas e a limpeza da área que, hoje, abriga 12 canteiros. O projeto, que prevê a implantação de 20 canteiros, foi aprovado pela Secretaria de Educação (Seduc), que irá enviar R$ 4 mil a escola. Mas, enquanto o investimento não vem, os próprios alunos e professores investem na horta. “Algumas de nossas professoras já compraram sementes, alunos trazem mudas… Até eu já plantei algumas mudinhas de tomate”, conta Janete.
A diretora diz ainda que a perspectiva de consumir essas hortaliças anima bastante os alunos. “Em agosto nós já poderemos colher os primeiros pés de alface. Além de possibilitar o oferecimento de uma alimentação adequada aos alunos, as hortas irão reduzir os gastos da escola na compra de merenda”.
Sensibilização
A temática socioambiental está sempre presente nas atividades da escola 31 de Março.
A Semana do Meio Ambiente deste ano foi comemorada com músicas e apresentações culturais idealizadas e organizadas pelos próprios alunos. Os professores apoiaram a iniciativa e criaram um adesivo que traz um alerta para a preservação dos recursos naturais.
Educação Agroflorestal
A Educação Agroflorestal é uma das linhas de ação da Campanha ‘Y Ikatu Xingu e tem por objetivo provar que é possível aliar culturas agrícolas e florestais em um mesmo espaço e derrubar o paradigma de que a floresta é um estorvo para a produção agrícola.
A Campanha ‘Y Ikatu Xingu é um movimento de responsabilidade socioambiental compartilhada em prol da recuperação e proteção das nascentes do Rio Xingu no estado de Mato Grosso. Foi criada em 2004, a partir da união de agricultores familiares, produtores rurais, comunidades indígenas, pesquisadores, organizações governamentais e não governamentais, prefeituras, movimentos sociais e organizações da sociedade civil – atores que enxergam o Rio Xingu e seus afluentes como um bem comum e que lutam por sua preservação.
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