Bispo do Xingu ganha ‘Nobel alternativo’ por defesa dos índios e da Amazônia
Publicado:outubro 4, 2010
Dom Erwin Kräutler é opositor ferrenho da usina de Belo Monte. Ele ajudou a incluir os direitos indígenas na Constituição de 1988.
Por – Agência Efe
A fundação Right Livelihood Award reconheceu na última quinta-feira (30), com o chamado ‘Prêmio Nobel alternativo’ 2010, os esforços do bispo brasileiro Erwin Kräutler em prol das tribos indígenas e da preservação da Amazônia.
Kräutler foi premiado por “uma vida de trabalho pelos direitos ambientais e humanos dos povos indígenas” e seus “esforços por salvar a Amazônia da destruição”.
Criado em 1980, o prêmio é entregue anualmente no Parlamento sueco. Ele foi criado “para homenagear e apoiar aqueles que oferecem respostas e exemplos práticos para os desafios mais urgentes que enfrentamos hoje “, de acordo com a organização.
A iniciativa começou com Jakob von Uexküll, um filatelista sueco-alemão, que vendeu seu negócio para conseguir os primeiros recursos doados. Desde então, o prêmio tem sido apoiado por doadores individuais.
Brasileiro de origem austríaca, Kräutler, de 71 anos, se destacou pela defesa dos direitos indígenas na região paraense do Xingu, de cuja diocese é bispo desde 1980.
Cimi
Seu trabalho possibilitou a inclusão dos direitos indígenas na Constituição brasileira de 1988, uma linha que seguiu promovendo no Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Com o Cimi, Kräutler impulsionou projetos de construção de casas, escolas e centros para crianças, mães e mulheres gestantes.
Belo Monte
Também foi ferrenho opositor da construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, em razão dos irreparáveis danos ambientais que causaria na região, enfrentando assim o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O júri do Nobel Alternativo reconheceu também os esforços do nigeriano Nnimo Bassey em defesa do meio ambiente, contra as petrolíferas de seu país.
Bassey, de 52 anos, é homenageado por “revelar os horrores ambientais e humanos da produção de petróleo e por seu trabalho inspirador para fortalecer o movimento ecologista na Nigéria e de forma global”, segundo a decisão do júri.
Seu trabalho na ONG Amigos da Terra o transformaram em um dos principais ativistas em prol do meio ambiente e dos direitos humanos frente às corporações multinacionais. Cofundador em 1993 da Ação para os Direitos Ambientais (ERA, na sigla em inglês), o braço nigeriano da Amigos da Terra , Bassey ascendeu em 2008 à Presidência desta última.
O petróleo e os enormes danos ambientais causados às comunidades nigerianas e de outros países da região foram a principal preocupação de seu ativismo e do ERA, que impulsionou processos e reivindicações contra as grandes petrolíferas.
Outro vencedor do prêmio foi o nepalês Shrikrishna Upadhyay e sua organização Sappros, fundada por ele em 1991, por combater a pobreza. Upadhyay e sua ONG demonstraram “o poder da mobilização comunitária para assinalar as múltiplas causas da pobreza, inclusive sob a ameaça da violência política e a instabilidade”, tal como indicou a organização.
Graças ao ativismo de ambos, mais de 1 milhão de pessoas na zona rural do Nepal melhoraram suas condições de vida por meio de instrumentos como microcréditos e abastecimento de água potável a baixo custo.
Médicos
O Nobel Alternativo premiou ainda a organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI, na sigla em inglês), reconhecendo “seu espírito indomável trabalhando pelo direito à saúde do povo de Israel e da Palestina”.
Fundada em 1988, após o início da Primeira Intifada palestina, pelo médico Ruchama Marton e um grupo de médicos israelenses e palestinos, a PHRI se destacou por sua atividade humanitária nos territórios ocupados, com atendimento móvel de saúde e tratamento em clínicas e hospitais. Os quatro agraciados pelo Nobel Alternativo dividirão 200 mil euros em prêmios (US$ 272 mil). A cerimônia de entrega das homenagens será realizada no dia 6 de dezembro no Parlamento sueco.
O Right Livelihood Award (Prêmio Modo de Vida Correto) foi adotado em 1980 pelo escritor e ex-eurodeputado sueco-alemão Jakob von Uexküll. A homenagem distingue o trabalho social de pessoas e instituições e é considerada a ante-sala do Nobel da Paz.
Vários ganhadores do prêmio ‘alternativo’ acabaram recebendo depois o outro prêmio, como a queniana Wangari Maathai, que recebeu o Right Livelihood Award em 1984 e o Nobel da Paz em 2004.
Bispo do Xingu ganha ‘Nobel alternativo’ por defesa dos índios e da Amazônia
Dom Erwin Kräutler é opositor ferrenho da usina de Belo Monte. Ele ajudou a incluir os direitos indígenas na Constituição de 1988.
Por – Agência Efe
A fundação Right Livelihood Award reconheceu na última quinta-feira (30), com o chamado ‘Prêmio Nobel alternativo’ 2010, os esforços do bispo brasileiro Erwin Kräutler em prol das tribos indígenas e da preservação da Amazônia.
Kräutler foi premiado por “uma vida de trabalho pelos direitos ambientais e humanos dos povos indígenas” e seus “esforços por salvar a Amazônia da destruição”.
Criado em 1980, o prêmio é entregue anualmente no Parlamento sueco. Ele foi criado “para homenagear e apoiar aqueles que oferecem respostas e exemplos práticos para os desafios mais urgentes que enfrentamos hoje “, de acordo com a organização.
A iniciativa começou com Jakob von Uexküll, um filatelista sueco-alemão, que vendeu seu negócio para conseguir os primeiros recursos doados. Desde então, o prêmio tem sido apoiado por doadores individuais.
Brasileiro de origem austríaca, Kräutler, de 71 anos, se destacou pela defesa dos direitos indígenas na região paraense do Xingu, de cuja diocese é bispo desde 1980.
Cimi
Seu trabalho possibilitou a inclusão dos direitos indígenas na Constituição brasileira de 1988, uma linha que seguiu promovendo no Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Com o Cimi, Kräutler impulsionou projetos de construção de casas, escolas e centros para crianças, mães e mulheres gestantes.
Belo Monte
Também foi ferrenho opositor da construção da hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, em razão dos irreparáveis danos ambientais que causaria na região, enfrentando assim o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O júri do Nobel Alternativo reconheceu também os esforços do nigeriano Nnimo Bassey em defesa do meio ambiente, contra as petrolíferas de seu país.
Bassey, de 52 anos, é homenageado por “revelar os horrores ambientais e humanos da produção de petróleo e por seu trabalho inspirador para fortalecer o movimento ecologista na Nigéria e de forma global”, segundo a decisão do júri.
Seu trabalho na ONG Amigos da Terra o transformaram em um dos principais ativistas em prol do meio ambiente e dos direitos humanos frente às corporações multinacionais. Cofundador em 1993 da Ação para os Direitos Ambientais (ERA, na sigla em inglês), o braço nigeriano da Amigos da Terra , Bassey ascendeu em 2008 à Presidência desta última.
O petróleo e os enormes danos ambientais causados às comunidades nigerianas e de outros países da região foram a principal preocupação de seu ativismo e do ERA, que impulsionou processos e reivindicações contra as grandes petrolíferas.
Outro vencedor do prêmio foi o nepalês Shrikrishna Upadhyay e sua organização Sappros, fundada por ele em 1991, por combater a pobreza. Upadhyay e sua ONG demonstraram “o poder da mobilização comunitária para assinalar as múltiplas causas da pobreza, inclusive sob a ameaça da violência política e a instabilidade”, tal como indicou a organização.
Graças ao ativismo de ambos, mais de 1 milhão de pessoas na zona rural do Nepal melhoraram suas condições de vida por meio de instrumentos como microcréditos e abastecimento de água potável a baixo custo.
Médicos
O Nobel Alternativo premiou ainda a organização israelense Médicos pelos Direitos Humanos (PHRI, na sigla em inglês), reconhecendo “seu espírito indomável trabalhando pelo direito à saúde do povo de Israel e da Palestina”.
Fundada em 1988, após o início da Primeira Intifada palestina, pelo médico Ruchama Marton e um grupo de médicos israelenses e palestinos, a PHRI se destacou por sua atividade humanitária nos territórios ocupados, com atendimento móvel de saúde e tratamento em clínicas e hospitais. Os quatro agraciados pelo Nobel Alternativo dividirão 200 mil euros em prêmios (US$ 272 mil). A cerimônia de entrega das homenagens será realizada no dia 6 de dezembro no Parlamento sueco.
O Right Livelihood Award (Prêmio Modo de Vida Correto) foi adotado em 1980 pelo escritor e ex-eurodeputado sueco-alemão Jakob von Uexküll. A homenagem distingue o trabalho social de pessoas e instituições e é considerada a ante-sala do Nobel da Paz.
Vários ganhadores do prêmio ‘alternativo’ acabaram recebendo depois o outro prêmio, como a queniana Wangari Maathai, que recebeu o Right Livelihood Award em 1984 e o Nobel da Paz em 2004.