Diagnóstico de áreas degradadas, discussão sobre a legislação ambiental, adequação de propriedades rurais e técnicas de restauração florestal foram abordados ao longo de três módulos por meio de aulas teóricas e atividades práticas em campo
Fernanda Bellei, ISA
O primeiro curso de restauração de áreas degradadas promovido pelo Instituto Socioambiental (ISA) foi concluído na última quinta-feira, dia 12, em Canarana, Mato Grosso, com a participação de cerca de 20 profissionais, entre consultores, técnicos das prefeituras municipais, representantes de ONGs e de fazendas da região.
Foram três módulos de quatro dias cada, organizados para acompanhar a dinâmica de um projeto de restauração de uma área degradada. No primeiro módulo, realizado em setembro do ano passado, os participantes aprenderam a diagnosticar uma área degradada e a identificar a técnica de restauração mais indicada para cada caso. No segundo, as três principais técnicas de restauração foram testadas em duas áreas escolhidas: condução de regeneração natural, plantio com mudas e a semeadura direta de espécies nativas com maquinários agrícolas: plantadeira e lançadeira de sementes. No último módulo, os participantes realizaram o monitoramento das áreas implantadas, já em processo de restauração, e aprenderam a utilizar indicadores para avaliar o desenvolvimento da vegetação. Além dos módulos presenciais, os participantes realizaram atividades entre-módulos, em que precisaram desenvolver um projeto individual ou em grupo.
Natalia Guerin, bióloga do ISA e uma das organizadoras do curso, explica que existe uma grande demanda por profissionais de restauração na região. “Diante do cenário atual do Mato Grosso com a adesão dos proprietários rurais ao Cadastramento Ambiental Rural (CAR), visando a comercialização de seus produtos, está sendo gerada uma demanda crescente por profissionais capacitados que possam elaborar e acompanhar os Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas (PRADs) estabelecidos nos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) assinados pelos produtores. Além disso, por conta da exploração e desmatamento recentes na região essa demanda só está aparecendo agora, ao contrario de outros estados que já possuem um mercado estabelecido para esses profissionais”.
A disseminação das técnicas de restauração desenvolvidas pelo ISA e outras organizações participantes da Campanha Y Ikatu Xingu também motivou a realização do curso, de acordo com Luciano Langmantel Eichholz, engenheiro florestal do ISA. “Considerando que umas das linhas de ação da Campanha é a restauração florestal, que tem por objetivo a recuperação das nascentes e zonas ripárias na Bacia do Xingu, e que a equipe técnica do ISA, nesse âmbito, acumulou uma expertise única na região ao longo dos cinco anos de experimentos, surgiu a idéia de repassar os aprendizados acumulados a esse público-alvo, disseminando as técnicas desenvolvidas e aprimoradas pela equipe e assim, ampliar o raio de ação da Campanha”.

Luciano Eichholz do ISA dá explicações sobre o desenvolvimento das espécies no processo de restauração. Foto: Natalia Guerin
Em cinco anos de trabalho, mais de 2 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reservas Legais em propriedades rurais de 22 municípios mato-grossenses foram colocados em processo de restauração. Um dos métodos mais utilizados é o Plantio Mecanizado de Florestas, em que maquinários agrícolas, como a plantadeira e a lançadeira, são utilizados para o plantio de sementes nativas. A técnica, desenvolvida no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, tem custo de implantação até quatro vezes mais baixo que o plantio com mudas e ficou em primeiro lugar na chamada pública de práticas inovadoras em revitalização de bacias hidrográficas, realizada pelo Ministério do Meio Ambiente, em 2010.
Setor em expansão
A restauração de áreas degradadas é uma atividade que está em crescimento em todo o país, segundo Antonio Galvão de Melo, analista de recursos ambientais do Instituto Florestal do Estado de São Paulo (IF) e colaborador do curso promovido pelo ISA. Ele conta que, apesar do panorama incerto provocado pelas propostas de mudanças no Código Florestal brasileiro, a demanda por restauração tende a continuar crescendo. “A Legislação tem mudado e, além da preocupação da sociedade com a questão ambiental, existem instrumentos que dão importância para a restauração, como a certificação, a adequação socioambiental das propriedades e a remuneração por serviços ambientais, como a água e o carbono, que é algo que tende a crescer muito”.

Antonio Galvão Melo durante curso de restauração de áreas degradadas em Canarana. Foto Fernanda Bellei
Um dos participantes do curso, Darlison Nunes da Costa, técnico florestal e auxiliar de pesquisa do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), afirma que procurou a capacitação porque está interessado em desenvolver trabalhos de restauração de áreas degradadas na região. “Estou fazendo faculdade de Gestão Ambiental e este curso vai me a ajudar a desenvolver conhecimentos sobre como reflorestar e como lidar com cada situação e resposta do ambiente natural”.
Em seu trabalho, Darlison lida com informações científicas, acompanha o comportamento de florestas sob ação de queimadas constantes e realiza monitoramento de água, mas considera os estudos acerca de restauração de áreas degradadas importantes para o desenvolvimento de seu trabalho. “Acho que nossa região está bem adiantada em termos de iniciativas de restauração e já é referência em toda a Amazônia Legal. O que está sendo feito aqui pode ser adaptado para várias regiões, daí a importância deste curso”.
A técnica do Plantio Mecanizado de Florestas foi o que atraiu Sérgio Bragagnolo, engenheiro ambiental do grupo Itaquerê, de Primavera do Leste, MT, para o curso. Ele trabalha com licenciamento e adequação de propriedades rurais e tem uma área de 60 hectares para ser restaurada, mas têm outros planos para aplicar seu conhecimento em restauração. “Eu pretendo difundir essa técnica de semeadura de espécies nativas. Ela possibilita uma réplica de uma situação real de área preservada, além de ter baixo custo e ser fácil de ser desenvolvida”.
Bragagnolo diz acreditar que as iniciativas de restauração ainda estão engatinhando no Brasil e que ainda há muito para se fazer. “Existe uma grande falta de profissionais que atuam na área de restauração. A tendência é que isso cresça muito e é importante promover capacitações completas, em que o profissional consiga desenvolver um conhecimento mais amplo, como fazer análises de solo e recursos hídricos”.
A avaliação dos participantes foi positiva e os organizadores sinalizam a possibilidade de replicar o curso em outras regiões de Mato Grosso e até fora do estado.
Um Comentário
Bem próximo a minha casa num pequeno matinho ha um pequeno grupo de macaco prego, o ano passado 2010, vândalos colocaram fogo, mas felizmente só queimou um pouco do mato, as autoridades ainda não tem conhecimento desses animais. Quero ajuda para preserva-los; Não sei como se alimentam ou bebem água, alguns moradores levam frutas, maçãs, bananas… , mas acho que isso não é bom, eles estão ficando muito mansos e com isso tornam-se vulneráveis.
O endereço é: Americana São Paulo, bairro Bertoni final da linha de ônibus Mirandola, que é bem ao lado da matinha.