Seminário debate melhores práticas para o manejo da borracha nativa em Manaus-AM

Francinaldo Lima, ISA

Seringueiros da Amazônia, pesquisadores, técnicos governamentais e não-governamentais, rede de serviços (assistência técnica e órgãos ambientais) e representantes de extrativistas e produtores, entre cooperativas, associações e sindicatos participaram do seminário de avaliação das diretrizes técnicas para as boas práticas de manejo da borracha nativa (Hevea brasiliensis), nos dias 20 e 21 de junho, na auditoria da CONAB, em Manaus.

Grupo de trabalho formado por extrativistas e técnicos. Foto Ernestino Guarino, Embrapa/Acre

O evento, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Cooperação Técnica da Alemanha (GIZ), faz parte do Plano Nacional de Promoção das Cadeias de Produtos da Sociobiodiversidade. O objetivo é elaborar um documento contendo diretrizes de boas práticas para a produção da borracha nativa, que poderá ser utilizado como critérios para quem buscar a certificação orgânica, e também de base para um possível selo dos produtos da sociobiodiversidade.

Valdelino Cavalcante, Diretor da Agência de Desenvolvimento Sustentável, ADS, de Manaus, durante aula de boas práticas para extração do látex. Foto Francinaldo Lima

O documento traz uma mistura de boas práticas já utilizadas por seringueiros dos estados do Acre, Pará, Rondônia e Amazonas. “Parecia que estávamos aprendendo fazer o que já sabemos, mas depois percebi que as experiências trazidas por outros companheiros da seringa, que moram em outras regiões, são importantes aprendermos coisas novas”, disse o seringueiro Getulio Pereira do Nascimento, do município de Uacari, no Amazonas.

Os seringueiros aproveitaram o momento para pedir melhorias na política de incentivo ao extrativismo, sobretudo melhorias de preço e menos burocracia no acesso ao Programa de Garantia de Preço Mínimo (PGPM). Eles reclamam que o preço aplicado pelo governo, muitas vezes, é bem menor que o de venda para o fornecedor. A demora para pagar o subsídio ao extrativista e a burocracia também é outro fator que desanima a busca pelo benefício.

Segundo a coordenação do evento, o resultado das discussões será levado à consulta pública e incluído na instrução normativa do extrativismo orgânico. Em seguida, será elaborada uma cartilha sobre as boas práticas de manejo.

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