Código será abordado em evento do ”Estado”


Um dos assuntos mais polêmicos da agenda pública do País neste ano, o novo Código Florestal, é o carro-chefe do Encontros Estadão & Cultura, ciclo de eventos aberto ao público que será realizado nesta semana na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, região central de São Paulo.

Na quinta-feira, às 12h30, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva vai falar da mobilização para que o Senado altere o projeto do Código aprovado em maio pela Câmara, muito criticado por ambientalistas.

Mobilização
A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva vai debater o novo Código Florestal, que será votado no Senado Na quinta-feira, às 12h30, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva vai falar da mobilização para que o Senado altere o projeto do Código aprovado em maio pela Câmara, muito criticado por ambientalistas.

Marina participou anteontem em São Paulo do lançamento de uma campanha nacional para recolher assinaturas contra o projeto. “Que as crianças montem comitês nas escolas, que os jovens possam se mobilizar nas universidades”, disse. “Que a academia possa mobilizar os formadores de opinião, as empresas e todos os setores da sociedade que tenham uma visão diferente dessa visão atrasada aprovada na Câmara.”

Legislação que orienta a ocupação do campo, o Código determina o perfil das áreas destinadas à agricultura e à preservação ambiental no País. A previsão é de que o Senado vote o projeto ainda neste semestre. Até chegar ao plenário, o texto será analisado em quatro comissões: Agricultura, Meio Ambiente, Justiça e Ciência e Tecnologia.

“Eventos como este do Estadão permitem a retomada desse debate, que desperta muitas paixões”, afirma o coordenador de Campanhas do Greenpeace, Sergio Leitão. Ele diz esperar que a ex-ministra do Meio Ambiente durante o governo Lula analise um fenômeno que considera vital na discussão sobre o novo Código Florestal: o peso do agronegócio na balança comercial do País.

“Temos de discutir se, na divisão internacional do trabalho, vamos nos contentar em ser fornecedores de comida”, afirma. “Porque é essa visão que dá aos ruralistas peso político comparável ao do século 19: eles estão com a faca e o queijo na mão.”

Alimentação. Criado para estimular a participação do público no debate de temas tratados pelo jornal, o Estadão & Cultura deste mês não vai se limitar à discussão de assuntos “macro”, como o Código. Nos outros dias do ciclo, o comportamento sustentável dará o tom. Na quarta-feira, o professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) Daniel Bandoni e o chef do restaurante Dois Cozinha Contemporânea, Daniel Broide, vão tratar de alimentação saudável.

“Não vai faltar assunto: o consumo excessivo de sal e açúcar, o aumento da obesidade, o perigo dos refrigerantes, a importância dos vegetais no cardápio…”, enumera Bandoni, mestre em Nutrição pela Universidade de São Paulo. Ele também vai avaliar os resultados da última pesquisa do IBGE sobre o orçamento familiar do brasileiro, que indica a redução do consumo de feijão, alimento rico em ferro.

Consumo. Na sexta-feira, a cineasta e apresentadora de TV Marina Person e o empresário Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, falarão de consumo responsável. Espécie de cidadã-ativista, Marina virou síndica do seu prédio para adotar a coleta seletiva de lixo. Entre outras medidas, proibiu a limpeza das calçadas com água corrente.

A entidade dirigida por Mattar, por sua vez, publicou a mais recente pesquisa sobre hábitos de consumo com foco em meio ambiente. O levantamento mostra que apenas 5% dos brasileiros podem ser classificados como consumidores conscientes. A necessidade de conscientização cresce no ritmo da expansão da economia. Com a ascensão da classe C, o País ganhou 29 milhões de consumidores – pouco menos que a população de Bélgica, Portugal e Grécia, somadas.

“O atual modelo de produção e consumo é completamente inadequado para a construção de um mundo social e ambientalmente sustentável”, afirma Mattar. “Consumir de maneira consciente é consumir diferente: tendo no consumo um instrumento de bem-estar e não um fim em si mesmo.”

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