Realizado em Brasília, entre 31 de agosto e 1º de setembro, o Seminário Plantio de árvores no Cerrado permitiu a troca de experiências entre produtores de todo o País.
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Natalia Guerin e Christiane Peres, ISA
Quarenta produtores de diversas regiões do País foram convidados a apresentar e trocar suas experiências em plantios de árvores nativas durante o Seminário Plantio de Árvores no Cerrado, em Brasília.O evento foi promovido pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) e pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Além da apresentação das técnicas de plantio como estaquia, clonagem de árvores, plantio de mudas e pastagens ecológicas, o encontro buscou levantar as demandas por pesquisas voltadas para o desenvolvimento e aperfeiçoamento de técnicas mais ecológicas e economicamente viáveis para a recuperação do Cerrado. O seminário foi o pontapé inicial para a compilação e disseminação das tecnologias informais que vêm sendo desenvolvidas dentro das pequenas propriedades por todo o Brasil”, afirma Daniel Vieira, funcionário da Embrapa e um dos organizadores do evento A ideia é compilar essas experiências em uma cartilha para levar as técnicas inovadoras a milhares de outros agricultores do País. Pioneiros em recuperação Entre os participantes estavam dois pioneiros na recuperação de áreas degradadas de Canarana: Amandio Micolino e Teresinha Goldoni. Ambos foram convidados para apresentar suas experiências com o plantio mecanizado de árvores nativas. Utilizando sua plantadeira de soja, Teresinha já recuperou três hectares na beira da represa do Garapu, localizada em sua fazenda. Já Amandio Micolino vem utilizando desde 2008 seu vincón – uma lançadeira de adubo – para recuperar, 6,5 hectares de Cerrado que desmatou em sua fazenda quando chegou em Canarana, na década de 1970. “Isso precisa ser divulgado para a população, pois somos chamados de loucos por estarmos plantando árvores”, diz. Édemo Côrrea, também morador de Canarana, apresentou os avanços que vem obtendo com seu pasto consorciado com pequi. “Quando os pés de pequi estão com mais de dois anos, o gado pode ser colocado na mesma área, pois já não alcança mais a gema das plantas, e por isso não danifica as árvores”, explica. Ele participou da primeira turma de formação de agentes socioambientais, organizada pelo Instituto Socioambiental (ISA), em 2006, e é hoje um dos principais produtores de pequi da região. Édemo também planta outras espécies nativas do Cerrado, como o murici, cagaita e jatobá e explica a outros agricultores seu sistema silvipastoril de pastagem consorciada com pequi e outras espécies do Cerrado. As experiências de restauração florestal em Canarana, apresentadas no evento, vêm sendo realizadas em parceria com o ISA, no âmbito da campanha Y Ikatu Xingu. “A iniciativa dos produtores em implementar atividades de restauração dentro de suas propriedades e buscar alternativas mais ecológicas para sua produção é o resultado mais significativo da campanha”, avalia Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu do ISA. Em cinco anos, mais de dois mil hectares de áreas degradadas na Bacia do Rio Xingu entraram em processo de restauração. A estimativa é que até o fim deste ano mais 300 hectares sejam implantados. As restaurações florestais já estão presentes em 14 municípios de Mato Grosso: Canarana, Água Boa, Barra do Garças, Vila Rica, Gaúcha do Norte, Querência, Bom Jesus do Araguaia, São Félix do Araguaia, Canabrava do Norte, São José do Xingu, Santa Cruz do Xingu, Marcelândia, Cláudia e Nova Mutum. |
2 Comentários
Parabéns pelo evento, gostaria de ter participado. Participei de um evento sobre frutos do cerrado em Bela Vista de Goiás,em que o Sr Edemo deu uma palestra sobre o plantio de pequi. Tenho um pequeno sitio perto de Goiânia e pretendo plantar pequi e pitanga em uma boa parte dele. Estou em busca de informações.
Boa tarde,
Gostaria de saber se vocês trabalham com mudas de murici?
Estamos precisando de 3.000 mudas a partir de 0,20 cm, a que preço vocês podem fazer nessa quantidade?
Att, Estefânia