Em encontro itinerante promovido em parceria pela Secretaria de Educação e Cultura de Canarana e pelo ISA, educadores trocam experiências sobre atividades que aliam a preservação do meio ambiente às práticas pedagógicas.
Por Christiane Peres, ISA
Samuel Silva Santos é estudante do 9º ano da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Coronel Vanick, localizada na Vila Culuene, a 80 quilômetros de Canarana (MT). Junto com seus colegas, ele sai com frequência em busca de sementes do Cerrado que vão ajudar a recuperar áreas desmatadas em propriedades da região. “A gente cata do chão e às vezes até escala para pegar alguma. É meio perigoso, mas é divertido”, conta. Desde 2008, sua escola começou a desenvolver projetos ligados à preservação do meio ambiente, conscientizando os alunos e a comunidade local sobre a importância desse processo. “Nossos projetos começaram depois que vimos algumas áreas reflorestadas. Aí pensamos: Por que nós não podemos fazer isso também? Começamos com uma área pequena. Fizemos uma agrofloresta na escola e depois um viveiro, com ajuda da equipe do ISA. A proposta era envolver os alunos nisso e deu certo. Eles coletam as sementes que usamos, plantam as áreas e sabem como funciona tudo”, conta a diretora do colégio, Mara Carmecita Martins.
“O maior diferencial do nosso trabalho, do início até agora, é o modo como trabalhamos. No início a gente só plantava, mas de um tempo para cá começamos a trazer essa experiência para dentro da sala de aula também, coisa que a gente não fazia antes. Desde que começamos notei que o envolvimento dos alunos com a escola mudou. Eles passaram a cuidar mais das coisas, a se interessar mais pela escola”, completa a professora Lisane Freitas.
Samuel endossa a observação da docente. Segundo ele ficou mais fácil aprender depois que esses projetos começaram a ser desenvolvidos e ainda tornou as aulas mais atraentes. “A gente via as coisas na natureza e depois ia aprender sobre elas na sala. Ficou mais fácil de aprender assim. E é importante a gente preservar a natureza. Antes da escola começar com esses projetos era muito difícil fazer qualquer coisa aqui sobre isso, mas agora não. Tem muita gente que vem até aqui, na escola, para pedir ajuda na recuperação dos lugares que estão desmatados.”
A proposta da EMEB Coronel Vanick virou até cordel e foi narrada pela professora Diva Maria Ribeiro durante o “Encontro Itinerante de Iniciativas Socioambientais em Educação”, promovido pelo Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a Secretaria de Educação e Cultura (Semec) e com apoio da Fundação Avina, no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, entre os dias 20 e 23 de outubro. A “caravana da educação” percorreu 445 quilômetros entre Canarana e Água Boa, passando por oito escolas para apresentar e estimular a troca de experiências entre educadores que acreditam que iniciativas socioambientais podem ser aliadas no processo pedagógico. “É muito interessante ver o que está acontecendo, pois nosso papel é apoiar e estimular o desenvolvimento de iniciativas, e as escolas se apropriaram da ideia e a partir disso desenvolveram vários projetos inovadores”, comenta Cristina Velasquez, do ISA, organizadora do evento e responsável pelos cursos de formação promovidos pela ONG.
“A” de amora, “B” de buriti, “C” de cagaita
Um desses projetos é o “alfabeto ecológico” criado pela EMEB Novo Lar e pela Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Casa da Criança, em Canarana. Ali, as letras do alfabeto são aprendidas pela identificação das árvores. Assim, “i” já não é apenas igreja, mas “ipê” ou “ingá”, “o”, deixou de ser vinculado a óculos na alfabetização para dar lugar ao “oiti”, “m” lá é de “mangaba” e assim, os pequenos alunos vão aprendendo o alfabeto ao mesmo tempo em que conhecem as espécies que habitam o pátio da escola. “Ao trabalhar a parte pedagógica pela agrofloresta nós queremos desenvolver a sensibilização dos alunos para a importância da terra. E isso traz muito resultado, pois essa idade de 0 a 6 anos, é a melhor época para embutir nas crianças esses valores que elas carregarão para o resto da vida. E crescer valorizando o meio ambiente, lidando de outra forma com essa questão fará diferença”, explica a diretora Tais Francischetti, que continuou e fortaleceu o trabalho iniciado por sua antecessora em 2008.
Além da agrofloresta e do alfabeto, trabalhos com reciclagem para criação de brinquedos ou de suportes para mini-hortas de temperos fazem parte do trabalho realizado com as crianças daquela escola. “Estamos vendo tantas coisas possíveis de trabalhar nas escolas. Está sendo maravilhoso, principalmente por ser uma oportunidade de vermos ações em vez de apenas ouvir discursos. Aqui a gente está podendo ver a prática e a viabilidade desses projetos. Tem muita experiência interessante que pode ser replicada em várias outras escolas. Temos que ser multiplicadores do que vimos aqui nesses dias”, comenta Deyse Faria, professora da Escola Municipal Bela Vista, que apresentou na abertura do encontro a horta mandalla, que está sendo desenvolvida pelos alunos do assentamento Santa Maria, às margens da BR-158, em Água Boa.
A proposta do trabalho com a horta mandalla, além de produzir parte do alimento consumido na merenda escolar, é estimular os alunos a pesquisar formas de produção sustentável para capacitá-los para o manejo e cultivo de alimentos de forma econômica e ecologicamente correta. “Nossa equipe abraçou a causa. Até porque trabalhar educação hoje, sem trabalhar a sustentabilidade não dá mais”, justifica Deyse.
Pedagogia na agrofloresta
Independentemente do espaço que a escola disponibiliza para a criação dessas áreas de valorização da natureza, o resultado visto foi sempre o mesmo: maior envolvimento e desenvolvimentos dos alunos dentro e fora de sala de aula. Nas escolas EE 31 de março e EMEB Nova Era, em Canarana, as áreas destinadas às agroflorestas são bem pequenas. Na Nova Era, por exemplo, os 40 m² do antigo parquinho deram lugar a uma área verde e arborizada com jatobá, pitanga, ingá do cerrado, pau Brasil, cupuaçu e várias outras espécies plantadas pelas próprias crianças, em 2009. Apesar do pouco espaço, a professora Maria José dos Santos, da escola Nova Era, sempre leva seus alunos para estudar fora da sala de aula. E reforça que os pequenos aprendem mesmo com mais facilidade a partir do uso dessas práticas. “Os alunos plantam, têm contato com a terra e por isso eles cuidam mais da escola e das plantinhas, pois ajudaram a fazer aquilo. Além disso, o lado pedagógico melhora muito, pois eles aprendem com mais facilidade, já que vivenciam o lado prático antes de estudar o assunto na sala de aula.”
Na Escola Estadual 31 de março as discussões podem ser levadas mais adiante. Na área da agrofloresta não crescia nem mato, como gosta de lembrar a professora Vera da Silva. Foi preciso trabalhar bem a terra e hoje, além da área de agrofloresta, muitas árvores foram plantadas pelo pátio da escola para dar sombra e refrescar o espaço usado no recreio pelos estudantes. Mas pelo espaço reduzido, algumas espécies estão se sobrepondo a outras, gerando a possibilidade de uma nova discussão na escola. “Aqui, o mamão e o tamboril estão competindo. Então dá para se pensar em fazer uma discussão com os alunos em sala de aula sobre o manejo de uma dessas espécies nas aulas de biologia, para entender como se dá a sucessão florestal, por exemplo”, sugere Cristina Velasquez.
Debates assim acontecem na Escola Municipal Apóstolo Paulo, no distrito de Serrinha, em Água Boa. Ali, a matemática foi usada para estruturar uma planta baixa do jardim ecológico plantado pelos estudantes na entrada da escola. O professor Eduardo Ribeiro trabalhou a geometria plana com seus alunos nesse espaço. O futuro jardim, que hoje está em fase de crescimento, tem losangos, polígonos, retângulos e círculos preenchidos por espécies nativas e frutíferas. A expectativa é que em quatro anos, as árvores estejam crescidas e que aquele espaço tenha virado uma área de uso comum na escola. “O projeto jardim agrofloresta foi um incentivo no estudo da matemática, porque é uma matéria chata, né? Mas depois que a gente fez todo o desenho de como seria nosso jardim, tivemos que medir a área e marcar as formas antes de plantar. Isso ajudou muito. E a matemática deixou de assustar a gente e passou a ser legal estudar essa matéria”, conta a aluna Gleice Santos.
A escola também deu início a um trabalho de conscientização ambiental para despoluir o rio que passa pela comunidade. “O povo jogava lixo lá e o rio abastecia o assentamento. Não dava para não agir. Saímos da escola e fomos pra comunidade falar com as pessoas e mostrar a importância de não sujar o rio. Hoje melhorou muito. Mas o mais difícil nesse trabalho é que no início os pais achavam que a escola deveria ficar só nas quatro paredes. Não podia sair. Mas hoje eles entendem, estimulam e participam”, relata a diretora Elma Gomes.
Para muitas educadoras, o encontro foi uma injeção de ânimo. As dificuldades são muito parecidas, os desafios foram compartilhados e a troca de experiências valeu como incentivo para que os projetos continuem evoluindo. “Na nossa escola estamos transitando entre o discurso e a prática e conhecer projetos tão interessantes ajuda a pensar em como trabalhar em lugares que ainda não tem essa visão de que a escola pode ultrapassar as paredes da sala de aula”, comenta a professora Ducimar Barros, de Ribeirão Cascalheira.
O trabalho das escolas do campo foi outro ponto importante do encontro. Das oito escolas visitadas, metade era de áreas rurais, o que possibilitou uma troca rica para conhecimento da experiência da Escola Ativa – um programa do governo federal voltado para as escolas do campo, para valorizar o aluno que não estuda na cidade. “Com a escola ativa as coisas melhoraram muito. Antes a gente tinha aquela visão de que as escolas do campo eram muito fracas, que os alunos chegavam cheios de deficiência no aprendizado, mas hoje não é mais assim. Temos ótimos profissionais na zona rural e a possibilidade de trabalhar a realidade do campo com esse aluno, faz com ele se sinta valorizado e tenha mais vontade de estudar”, afirma a professora Rosangela Zalamena, da Escola Municipal Amália Vanzella Toniello, na fazenda Estela.
A assessora pedagógica da Secretaria Municipal de Educação de Canarana (Semec) Claci da Silva, sintetizou o espírito do encontro. “Estamos aqui, socializando frutos lançados lá atrás nessa parceria com o ISA. E isso é muito importante porque a criança aprender vivenciando as atividades é muito mais gostoso, pois também trabalha-se o lúdico. Acho que temos mudado a forma de aprender e de ensinar aqui em Canarana.”
Encaminhamentos
Ao final do encontro foi sinalizado que seria importante dar continuidade a essa rodada educativa e itinerante pela região, criando uma rede de educação ativa, motivada e inovadora. “O encontro proporcionou uma troca entre esses profissionais fundamental para que eles vissem que não estão sozinhos e que suas iniciativas são importantes e atingem o objetivo principal que é contribuir para o desenvolvimento dos estudantes com ideias inovadoras. Fomos só o start desse processo, mas as ideias e projetos que surgiram após nossa contribuição são maravilhosos e um ótimo sinal de que as escolas e os educadores compreenderam a importância desse processo e estão conseguindo realizar muito dentro de suas escolas”, diz, orgulhosa, Cristina Velasquez.
10 Comentários
Brilhante a ideia do ISA em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Canarana em promover esse encontro. Foi um momento ímpar no que tange nossa prática pedagógica. Realmente esses momentos de partilha de experiências enriquece nosso conhecimento, pois, uni teoria, prática, ensino-aprendizagem e sustentabilidade. Muito legal.
Grato,
Elismar Pereira
Escola Apóstolo Paulo
Distrito de Serrinha – Água Boa-MT
Parabéns a Secretaria de Educação e Cultura de Canarana e pelo ISA, pela iniciativa desse encontro d muita importância para preservação do Cerrado e também do meio ambiente.
Gostaria de entrar em contato com vocês através de e-mail, correspondência ou telefone.
Grata
Ofélia
Brilhante a ideia do ISA em parceria com a Secretaria Municipal de Educação de Canarana em promover esse encontro. Foi um momento ímpar no que tange nossa prática pedagógica. Realmente esses momentos de partilha de experiências enriquece nosso conhecimento, pois, uni teoria, prática, ensino-aprendizagem e sustentabilidade. Muito legal.
Grato,
Elismar Pereira
Escola Apóstolo Paulo
Distrito de Serrinha – Água Boa-MT
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Parabéns ao “ISA” pelo trabalho realizado junto às escolas envolvidas nas questões ambientalistas. Tive o revilégio de participar deste intinerário e confesso que aprendi muito com os professores de cada escola visitada. Eles fazerm um trabalho muito valioso e que vale a pena conhecermos. Parabéns, mais uma vez!
Maria Dias dos Santos
Escola Anastácio Feliciano Alves
Campinápolis-MT
Parabéns ao “ISA” pelo trabalho realizado junto às escolas envolvidas nas questões ambientalistas. Tive o revilégio de participar deste intinerário e confesso que aprendi muito com os professores de cada escola visitada. Eles fazerm um trabalho muito valioso e que vale a pena conhecermos. Parabéns, mais uma vez!
Maria Dias dos Santos
Escola Anastácio Feliciano Alves
Campinápolis-MT
Maria, parabéns às escolas que levaram adiante a ideia de incorporar práticas socioambientais ao currículo e se apropriaram do trabalho proposto, podendo mostrar belos projetos como o que vimos nessa breve viagem. Nós, do ISA, fomos apenas um facilitador desse processo e ficamos felizes em saber que foi mais uma sementinha plantada. Esperamos ver a repercussão do que você viu em breve pelas escolas de Campinápolis. Um abraço.
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