Notificação extrajudicial assinada por mais de 150 organizações da sociedade civil foi enviada aos interessados em financiar a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, alertando contra riscos financeiros, jurídicos e de reputação do empreendimento. As informações estão em nota divulgada pelo Movimento Xingu Vivo para Sempre.
Por Instituto Socioambiental
Uma notificação extrajudicial assinada por mais de 150 entidades da sociedade civil foi enviada para onze bancos públicos e privados interessados em participar, direta ou indiretamente, do financiamento do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte, no Pará. O documento foi endereçado para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco da Amazônia (BASA), Bradesco, Itaú Unibanco, HSBC, Grupo Santander, Banco Votorantim, Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e BES Investimento do Brasil.
Na notificação, as instituições financeiras são alertadas sobre os elevados riscos financeiros, jurídicos e de reputação do empreendimento associados às graves violações de direitos indígenas e outras irregularidades no processo de licenciamento ambiental da usina, incluindo o sistemático descumprimento de suas condicionantes, incertezas sobre os custos de construção e ineficiência energética do projeto.
“Um dos aspectos mais graves do projeto, sem dúvida, tem sido o crônico descumprimento do artigo 231 da Constituição Federal e de normas internacionais [...] que asseguram aos povos indígenas o direito à consulta e ao consentimento livre, prévio e informado sobre grandes empreendimentos que afetam seus territórios e suas vidas”, afirma o documento. No momento, uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal sobre essa questão aguarda julgamento no Tribunal Regional Federal da 1ªRegião, tendo recebido um voto a favor da relatora do caso, desembargadora Selene Almeida, e um contra, do desembargador Fagundes de Deus.
“Esperamos que a desembargadora Maria do Carmo Cardoso, a cargo do voto de Minerva, honre nossa Constituição e os compromissos assumidos pelo Brasil internacionalmente, assegurando os direitos dos povos indígenas de serem consultados antes da realização das obras”, disse Maira Irigaray, da Campanha Nacional Xingu Vivo. O julgamento da ação deve parar o Supremo Tribuno Federal e poderá levar à paralisação dos canteiros de obras de Belo Monte, iniciados em julho.
Na semana passada, cerca de 400 indígenas, pescadores, agricultores e ribeirinhos ocuparam, por mais de 15 horas, o canteiro de Belo Monte e bloquearam a rodovia Transamazônica, na altura do quilômetro 50, no trecho Altamira-Anapu. Além das violações de direitos humanos, eles denunciam os impactos na cidade, que não foi preparada para receber o fluxo migratório provocado pelo início das obras.
A falta de consulta prévia com as populações indígenas ameaçadas por Belo Monte também está no centro de uma polêmica causada pela recusa do governo Dilma em acatar recomendações da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o caso de Belo Monte. Na sexta-feira, dia 21, o governo anunciou que não compareceria a uma reunião convocada pela CIDH para explicar a ausência de medidas de proteção aos direitos das populações indígenas e de outros grupos ameaçados por Belo Monte, conforme solicitado pela instituição no início de abril. A decisão do governo Dilma provocou severas criticas no Brasil e no exterior, inclusive comparações com posições extremas da ditadura do Alberto Fujimori no Peru perante a Comissão.
A notificação extrajudicial reitera que os bancos poderão ser considerados legalmente co-responsáveis por todos os danos ambientais do projeto, além de ressaltar a incompatibilidade de Belo Monte com as responsabilidades legais e demais diretrizes de responsabilidade socioambiental assumidas pelas instituições financeiras, como o Protocolo Verde e os Princípios de Equador.
Além dos problemas econômicos e jurídicos, a notificação sublinha os riscos à imagem das empresas, visto a crescente oposição, em âmbito nacional e internacional, contra a usina e os altos impactos ambientais e sobre as populações indígenas e ribeirinhas. As severas críticas e dúvidas que pairam sobre o Complexo Belo Monte – o maior e mais polêmico projeto do PAC – têm surgido entre diversos atores da sociedade brasileira, inclusive renomados acadêmicos e cientistas (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e a Associação Brasileira de Antropologia), economistas, especialistas em direitos humanos e direito ambiental, jornalistas, artistas, e lideres religiosos.
Mais informações: Verena Glass, Movimento Xingu Vivo Para Sempre: (11) 9853-9950
Um Comentário
e muito triste ver a posicao do governo federal, sobre tao grande circunstancia,ignorando os direitos de muitos;nao muito diferente,da famosa estrada de ferro,que foi construida para transportar borracha,construcao essa que ceifou a vida de muitos,mas totalmente invalidada pelo estancamento da mesma,se tornando unitil,hoje ,para nada mais serve;assim sera essa usina de energia;novamente,nao uma nescessidade,mas uma aquisicao financeira propria de maneira desleal,deshumana,ilegal(termo banido).Mais uma ver vemos o dinheiro sendo colocado em pauta (debaixo da mesa),usando um termo “para eu ganhar (roubar) alguns teem que morrer,quem se importa? .
infelizmente,assistimos com maos atadas um cenario em que a violencia e a decadencia moral ira atracar mais uma vez no cenario brasileiro,porque nao dizer no governo,que tem toda a autoridade de prevenir coisa tal de seguir adiante,porem ignoram.
gostaria de escrever mais,porem deixo essas passagens de Biblia que mostram a direcao em que o pais,atraves de seus lideres estao caminhando.
“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. 1 Timóteo 6:10″
“O SENHOR entrará em juízo contra os anciãos do seu povo, e contra os seus príncipes; é que fostes vós que consumistes esta vinha; o espólio do pobre está em vossas casas. Isaías 3:14″