Entre os dias 21 e 23 de novembro, ribeirinhos, coletores de sementes do Mato Grosso e do Pará, universitários e representantes de instituições locais que trabalham com recuperação de áreas degradadas se reuniram para compartilhar experiências e consolidar o trabalho iniciado na região Norte. Na oficina também foram apresentadas novas alternativas econômicas para os extrativistas. O encontro foi realizado pelo Instituto Socioambiental, Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará e pela Rede de Sementes do Xingu.
Por Christiane Peres, ISA
Marines Lopes de Sousa viajou quase vinte horas de barco da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Xingu até desembarcar no cais de Altamira, no Pará, no dia 21 de novembro, para participar da “Oficina de Manejo de Sementes Florestais” e descobrir mais uma alternativa de geração de renda para sua família. “Hoje nossa comunidade vive mais da pesca, mas estou ouvindo muita coisa boa aqui e acho que se eu aprender mais sobre o que está sendo mostrado posso levar para minha comunidade e passar para as outras pessoas para melhorar nossa vida. Temos muita floresta lá e podemos coletar muita semente. Já trabalhamos com o babaçu, mas vi outras possibilidades aqui.”
Junto com aproximadamente 50 pessoas, Maria Inês aprendeu, trocou experiências e se atualizou sobre técnicas de coleta de sementes, armazenamento, produção de mudas, precificação, comercialização e conheceu novas alternativas econômicas que podem ser retiradas da floresta, como a fabricação de produtos não madeireiros. “Além de pegar as sementes, a gente viu o trabalho de produção de óleos, por exemplo, que é feito por outras resex. Também dá pra fazer vela, farinha, um tanto de produto que pode tirar da mata.”
A “Oficina de Manejo de Sementes Florestais” é uma iniciativa do Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor), da Rede de Sementes do Xingu e do Instituto Socioambiental (ISA) e foi pensada para aprimorar técnicas de coleta, armazenamento e estrutura de gestão com o objetivo de suprir uma demanda por sementes que está surgindo na região. “Nas atividades desenvolvidas pelo ISA na Terra do Meio, ainda não existe um trabalho com a coleta e venda de sementes florestais, mas com essa oficina a gente espera olhar para mais essa atividade de geração de renda para as populações extrativistas e ao mesmo tempo contribuir com ações de adequação ambiental das propriedades da região, incentivadas pela prefeitura de Altamira, Ideflor e outras instituições”, explica Marcelo Salazar, coordenador adjunto do Programa Xingu, do ISA, no componente Terra do Meio Altamira.
Em 2010, foi criada a Cooperativa de Sementes e Mudas da Amazônia (Coosema) em Altamira, numa parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal do Estado do Pará (Ideflor) e a Secretaria Executiva de Trabalho Emprego e Renda do Pará, a partir do projeto Bolsa Semente. A proposta do grupo é coletar sementes e produzir mudas, envolvendo jovens da zona rural de oito municípios da região da Transamazônica-Xingu – Altamira, Porto de Moz, Senador José Porfírio, Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas e Santarém. Hoje são 27 cooperados que tiram da floresta parte do seu sustento. “Além da coleta, comercializamos óleo, sabonetes, velas, tudo extraído da floresta”, conta a diretora de Educação e Promoção Social da cooperativa, Edmara Pedrosa.
Com a oficina, Edmara e os membros da cooperativa esperam avançar no aprendizado de novas experiências para consolidar o trabalho desenvolvido por eles. “Queremos aprimorar a maneira como coletamos sementes. Sabemos da experiência da Rede de Semente do Xingu, que já desenvolve esse trabalho há mais tempo e pode nos ajudar muito aqui”, diz.
Troca de experiências
Ivo Cesário da Silva é coletor da Rede de Sementes do Xingu em Canarana (MT) e sua fonte de renda exclusiva vem das espécies que coleta na região. Como a maior parte dos moradores da pequena cidade mato-grossense, veio do Sul do país engrossar o grupo que a colonizou nos anos 70. Pintor de profissão, o catarinense encontrou no que resta de Cerrado em Canarana seu sustento. Hoje, participa de encontros pelo Brasil compartilhando sua experiência na Rede de Sementes do Xingu em Mato Grosso. “Se 20 anos atrás me falassem para coletar sementes, eu nunca ia acreditar que seria preciso e que seria possível viver disso. Hoje, com 46 anos de idade, eu vivo do cerrado e da floresta, com a coleta de sementes”, conta.
Ivo participa da oficina para apresentar a experiência vivida em Mato Grosso. Criada em 2007, a rede hoje conta com mais de 300 coletores, num trabalho que vem contribuindo de forma sistemática para a recuperação das matas ciliares na Bacia do Rio Xingu. Até a safra de 2010, a rede comercializou 53 toneladas de sementes, gerando R$ 459 mil de renda para seus participantes.
A experiência mato-grossense contribuiu para indicar caminhos para o trabalho que vem sendo desenvolvido em Altamira. Além das técnicas de coleta e limpeza de sementes, o método desenvolvido pela Rede de Sementes do Xingu com a contribuição de outras redes de sementes florestais para colocar preço nas espécies colhidas foi o ápice do encontro.
José Nicola da Costa, técnico do ISA e responsável pela Rede de Sementes do Xingu, lembra que esse é um trabalho árduo e mais que vontade, é preciso organização, transparência e participação de todos para que funcione. “Levamos um tempo até encontrar a melhor forma de atribuir os preços da rede e anualmente discutimos os valores com os coletores para atualizar a tabela que será utilizada”, diz.
Entre os critérios que ajudam a estabelecer os preços estão o grau de dificuldade de coleta e limpeza das sementes, o transporte, a quantidade encontrada na mata, o tempo gasto no trabalho. Cada item gera um valor, que, somado, vai ajudar a montar uma espécie de ranking com as sementes que devem ser mais baratas e as que devem agregar mais valor na venda. Para chegar ao valor final, o cálculo envolve ainda fatores como o preço da hora trabalhada, a quantidade de sementes coletada em um dia, entre outros. Essas informações, agregadas ao valor da diária regional, vão gerar o valor mínimo do quilo da semente. Aquele que precisa ser garantido ao coletor. Na oficina, o menor preço do quilo do açaí saiu a R$ 2,12, de acordo com o exercício feito. Hoje, os coletores das reservas extrativistas cobram R$ 2,91 no quilo coletado. “Colocando todos esses números no papel, a gente vai saber se o que a gente está coletando vale a pena mesmo. É uma informação importante sobre o nosso trabalho”, diz Gilvane Silva Santos, coletor de Uruará (PA) e membro do projeto Sementes da Floresta.
Desafios
Além do preço, outros desafios rondam o trabalho com as sementes em Altamira. Israel Oliveira, apontou que o armazenamento das espécies é um dos principais problemas encontrado na região. “2011, por exemplo, foi um ano rico em produção de andiroba, mas não conseguimos trabalhar as sementes, pois ela tem um crescimento inicial muito rápido e as sementes caem em fevereiro, março, mas a época boa para plantio é nas chuvas, que começam no final do ano. Isso significa que perdemos muitas sementes de andiroba esse ano porque elas não aguentaram, pois não temos uma câmara fria e um laboratório para armazenar”, relata.
Rodrigo Junqueira, coordenador adjunto do Programa Xingu, do ISA, no componente Cabeceiras do Xingu, explica que com uma estrutura simples é possível resolver a maior parte dos problemas de armazenamento de sementes. “Em Canarana temos uma casa de alvenaria com ar condicionado e um desumidificador de ar para comportar as sementes que chegam à rede. E isso dá conta da maior parte das espécies trabalhadas pela rede. Uma estrutura simples e que pode ser facilmente construída aqui.”
Ser capaz de armazenar as sementes coletadas na região é um passo importante para garantir a germinação das espécies. Além disso, é preciso um controle que assegure a qualidade da semente. E nem sempre é preciso um laboratório para isso, como afirma Ivo Cesário: “A gente não tem laboratório, mas faz um controle visual da qualidade das nossas sementes. E isso é importante pra gente porque quanto melhor as nossas sementes, mais elas serão compradas. É ponto pra gente. Além disso, a gente sabe que se a semente tem caruncho, está mofada, furada, não serve”, diz.
Além do armazenamento, Mônica Mota, da Secretaria Municipal da Gestão do Meio Ambiente e Turismo (Semat), lembrou que Altamira está na lista dos municípios que mais desmatam no país. Em outubro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou dados sobre desmatamento da floresta amazônica e Altamira ficou em segundo lugar, com 138 km². Em agosto, o município estava em primeiro lugar, com 129,9 km² de área devastada. “Precisamos trabalhar para tirar o município de Altamira dessa situação. Para isso, precisamos conseguir armazenar as sementes e coletar espécies nativas, pois hoje temos falta de sementes da região, e muitas vezes precisamos comprar de São Paulo porque não temos aqui, mas por não termos local para armazenar acabamos perdendo muitas espécies. Além disso, precisamos capacitar as pessoas para trabalhar com isso”, diz Mônica.
O desmatamento em Altamira poderá ser acentuado com as obras da usina de Belo Monte. O Ibama chegou até a solicitar uma análise do risco de desmatamento indireto da obra – além da área alagada ou usada para as construções da usina. Esse desmatamento indireto seria causado principalmente pela imigração e pelo estímulo ao aumento de atividades econômicas locais. O estudo foi realizado pelo Imazon que estimou a taxa provável de desmatamento até 2031, considerando cenários com e sem a construção da hidrelétrica.
De acordo com a previsão mais otimista, seriam desmatados em torno de 800 km2 adicionais em 20 anos. A outra estimativa, considerando a tendência do desmatamento mais elevada do período 2000-2005, chegou a um dado de 4.408 km2 a 5.316 km2 adicionais, dependendo do nível de imigração. (Acesse a íntegra do documento)
Encaminhamentos

Representantes de associações extrativistas, ongs e de órgãos públicos se unem para alavancar trabalho com sementes em Altamira
Ao final do encontro ficou acordado que os extrativistas, com auxílio das instituições parceiras, darão continuidade ao trabalho iniciado durante a oficina para ver a possibilidade de integrarem a Rede de Sementes do Xingu, com as espécies da região. Entre os trabalhos estão a identificação da oferta e demanda de sementes na região e a precificação das sementes coletadas .“Ou a gente se une ou não vamos dar conta. Ou achamos soluções sustentáveis para se viver da floresta ou veremos tudo no chão. Não se garante floresta em pé sem garantir um meio de vida digno a quem vive dela. É preciso agregar valor a esses produtos que são extraídos da floresta. E aqui vejo que estamos construindo esse caminho”, defende José Alberto da Silva Colares, diretor do Ideflor.
2 Comentários
boa noite!pena ser dificel conseguir comprar sementes dai.parabens pelo intercambio.
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