Restauração ecológica gera interesse em agricultores de São Félix do Xingu

Em tempos de rediscussão do Código Florestal, restauração ecológica é tema de curso promovido pelo ISA e TNC. A iniciativa dá continuidade às atividades “pós – CAR” no município, e teve a participação de técnicos, da sociedade civil e de agricultores da região

Por Natalia Guerin, ISA

São Felix do Xingu (PA) está concentrando esforços para sair da lista dos maiores desmatadores da Amazônia. Conseguiu reduzir os índices de desmatamento de 763 km2, em 2006, para 140 km2, em 2011, segundo informações do secretário Municipal de Meio Ambiente e Saneamento, Luiz Araujo. Mas para sair definitivamente da lista, esse número ainda precisa diminuir para 40 km2, tarefa difícil para um município com mais de 84 mil km2. Além da redução do desmatamento, o município já possui mais de 80% de suas propriedades com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), que é o primeiro passo para a regularização ambiental.

Paralelamente aos trâmites necessários para a retirada do município da lista, já foram iniciadas em São Félix do Xingu, as atividades “pós-CAR”. Entre elas, a preparação dos técnicos locais para a realização da adequação ambiental e de boas práticas na agropecuária das propriedades rurais.

Nesse sentido foi realizado o curso de Restauração Ecológica e Adequação Ambiental, cujo objetivo é capacitar os técnicos para realizar a adequação ambiental das propriedades para que possam desenvolver projetos de restauração de áreas degradadas em pequenas, médias e grandes propriedades. O curso foi ministrado pelos técnicos do ISA, e é estruturado em três módulos. Entre os dias 13 e 15 de outubro foram realizados os dois primeiros módulos que focaram nas etapas de diagnóstico, planejamento e implantação.

Durante os três dias os participantes puderam se aprofundar na análise de uma propriedade de pecuária que foi utilizada como objeto de estudo, a Fazenda Maguari. Foram realizadas atividades em grupo para discussão do diagnóstico e planejamento da propriedade, focando nas Áreas de Preservação Permanentes (APPs) e Reserva Legal à luz do novo Código Florestal.

Técnicos e agricultores da região que participaram do curso puderam conhecem a técnica da semeadura mecanizada de sementes nativas


Durante as discussões foram ressaltadas as possibilidades de restauração com espécies que apresentam potencial econômico para o produtor. “O curso mostrou que posso conciliar a restauração com a produção econômica. O que mais me chamou a atenção é como o plantio de árvores pode restaurar as fontes de água limpa”, disse Francisco Raimundo Teixeira, agricultor familiar de São Félix do Xingu.

No último dia foi apresentada a técnica de semeadura mecanizada, que vem sendo adotada nos projetos do ISA, no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, e vem se mostrando uma alternativa, principalmente para grandes propriedades rurais. “O aprendizado da técnica de plantio mecanizado de florestas oferecido pelo curso, pode ser uma importante ferramenta na recuperação das áreas degradadas do sul do Pará, em função do baixo custo quando comparado ao plantio de mudas”, afirmou Marco Aurélio Silva, consultor do Ministério do Meio Ambiente.

O curso ocorreu no âmbito do projeto “Preparando o Brasil para o Redd”, liderado pela TNC e que tem o ISA como um de seus parceiros. O projeto tem apoio da Usaid e conta ainda com o Instituto Centro de Vida, Fundo Nacional para Biodiversidade e Environmental Defense Fund como parceiros. O último módulo será realizado em abril de 2013 e focará na etapa de monitoramento e manejo de áreas em restauração.

Próximos passos

Segundo Raimunda de Mello, gerente regional da TNC, o passo seguinte é desenvolver no campo o Projeto de Adequação Ambiental das Propriedades Rurais associado às Boas Práticas na Agropecuária, projeto liderado pela TNC em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais, com o apoio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e Agricultura de São Félix do Xingu.

Os próximos treinamentos, cursos, palestras terão como objetivo principal a sensibilização e a mobilização do produtor rural para aderir aos programas de adequação ambiental e de melhoria da eficiência produtiva também da pecuária.

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