Alimentos ecológicos advindos das agroflorestas proporcionam refeições saudáveis e acessíveis na mesa do dia a dia de milhares de brasileiros. Uma das referências no país na produção deste tipo de alimento é chamada de Cooperafloresta.
Muitos alimentos ecológicos chegam a mesa dos brasileiros decorrentes do trabalho desta organização, que congrega 130 famílias na região do Vale do Ribeira, sul do estado de São Paulo e leste do estado do Paraná. Caiçaras, quilombolas, indígenas e outros povos tradicionais, convivem em uma relação muito íntima com o maior pedaço contínuo de Mata Atlântica que ainda resta no mundo.
No início do mês, a Articulação Xingu Araguaia (AXA), envolvida na promoção dos sistemas agroflorestais, promoveu um encontro entre indígenas da etnia Xavante e Kayabi, pesquisadores, técnicos, assentados e agricultores que saíram do Mato Grosso para visitar as experiências da Cooperafloresta nos municípios de Barra do Turvo (SP) e Adrianópolis (PR). O sistema agroflorestal, também conhecido como “SAF” ou “Casadão”, promove a integração de florestas com agricultura e pode ser implantado em qualquer bioma de qualquer região. Vitor Renck, do Instituto Socioambiental, participou deste intercâmbio e enviou para o site da Campanha Y Ikatu Xingu fotos e um depoimento desta rica troca de técnicas alternativas e sustentáveis do uso da terra. O encontro aconteceu entre os dias 6, 7 e 8 de agosto. Você pode encontrar mais informações sobre este trabalho em cooperafloresta.org , confira!
“Os agricultores da Cooperafloresta se organizam em pequenos grupos onde realizam mutirões semanais, otimizando o trabalho.
Visitamos as roças de algumas famílias, em diversos estágios e idades diferentes, de áreas recém implantadas a áreas com mais de 15 anos.
Esses sistemas são variáveis e flexíveis, permitindo a utilização de várias espécies em diferentes ecossistemas. Para cada local deve ser encontrado um manejo específico, baseado nos princípios agroecológicos.
Aprendemos sobre o sistema produtivo, o manejo realizado, a viabilidade econômica, comercialização, escoamento e beneficiamento dos produtos. A ideia foi transformar os participantes em agentes multiplicadores, colocando em prática os conhecimentos adquiridos em suas comunidades.
Os produtos são certificados pelo Sistema Participativo de Garantia, uma alternativa à certificação por auditoria, baseada numa relação de confiança e troca de experiência entre os agricultores.
Ocorreu também uma rica troca de sementes, com a participação de muitos agricultores da Cooperafloresta. Entre sementes florestais e agrícolas, haviam mais de 30 espécies, incluindo variedades de sementes crioulas, como o milho, amendoim, abóbora, quiabo e feijão de corda. Por fim, conhecemos a futura Agroindústria Multifuncional, onde serão produzidos picolés, sorvetes, polpas congeladas, frutas, desidratadas, doces, geleias, entre outros.
A ida à Cooperafloresta teve uma conotação muito especial para os participantes. Todos voltaram pra casa com o desejo de botar a mão na terra e aplicar as técnicas que aprenderam.
Com esta iniciativa, mais um passo foi dado para o fortalecimento das técnicas agroecológicas e agroflorestais no Xingu-Araguaia. Espero que, em alguns anos, a nossa região não seja mais sinônimo de monocultura e agricultura patronal.
A semente já foi plantada, agora é esperar germinar, crescer e render bons frutos.”

2 Comentários
Senhores
Iniciativas como a de vocês nos deixam esperança de que nem tudo está perdido no campo da preservação e restauração ambiental.
Parabéns e continuem
Deus os protejam
Prezados (as) Boa Tarde!
Muito bom, nem tudo esta perdido, com a conscientização na agricultura com o apoio de organização, assim como está, mais incentivos públicos técnicos e financeiros, pode se produzir alimentos sem realizar mais desmatamentos, pelo contrário pode se recuperar áreas degradadas e pobres, através da implantação de sistemas agroflorestais.
Portanto chega de desmatamento e o uso excessivo de agrotóxicos utilizados na agricultura convencional, ou seja, veneno mortal para todos.